“O Brilho das Lâmpadas e o Brilho das Ideias” (Sérgio Negrão)

07.12.2025 –

“Há datas que nos devolvem um espelho. O dia 1 de Dezembro é uma dessas ocasiões em que a história nos recorda que a independência nunca é definitiva: conquista-se, perde-se, reconquista-se, mantém-se com vigilância e sentido de futuro. É uma data nobre porque nos obriga a pensar no país que queremos — e no concelho que estamos realmente a construir.

Este ano, em Cantanhede, o arranque simboliza-se com a ligação das luzes de Natal e da agenda festiva que preenche as próximas semanas. É sempre um momento bonito, não vale a pena fingir o contrário: as crianças encantam-se, o comércio tenta respirar mais fundo, e a cidade ganha aquele brilho momentâneo que suaviza as rotinas. Mas, como vereador da oposição, sinto que também devemos aproveitar estes instantes para perguntar o que fazemos, de facto, com a nossa própria “independência municipal”.

Porque a independência não é só bandeira, é visão. É a capacidade de planear com ambição, de envolver as pessoas, de pensar o futuro com rigor. E, se é verdade que as luzes ajudam a enfeitar a cidade, também é verdade que não iluminam automaticamente os problemas que teimamos em varrer para debaixo do tapete: o comércio local que sobrevive com dificuldade, a falta de programação cultural consistente ao longo do resto do ano, a ausência de uma estratégia integrada que ligue economia, cultura e participação cívica.

O Natal deveria ser mais do que um intervalo simpático entre orçamentos tímidos e discursos repetidos. Deveria ser a oportunidade de mostrar que sabemos fazer diferente: envolver escolas, associações, criadores locais, empresários, comunidades. Deveria ser o momento de provar que Cantanhede pode ser mais do que um concelho que acende luzes, tira fotografias e volta ao mesmo de sempre no dia seguinte.

Celebro, com gosto, a alegria das famílias que enchem as ruas. Mas a minha obrigação, enquanto eleito, é lembrar que a beleza das luzes não deve esconder a sombra das ausências. Precisamos de uma estratégia cultural que dure mais do que quatro semanas por ano. Precisamos de uma política económica que dê futuro ao comércio em vez de apenas lhe dar esperança sazonal. Precisamos, acima de tudo, de um compromisso sério com o desenvolvimento e a participação das pessoas.

O dia 1 de Dezembro recorda-nos que a independência se afirma com coragem. Hoje, essa coragem significa escutar melhor, planear melhor, investir melhor — e não apenas “iluminar melhor”. Que a luz que agora se acende nas ruas seja também a que falta acender nas decisões políticas que moldam o amanhã de Cantanhede.

Enquanto vereador do Partido Socialista, continuarei a defender que este concelho merece mais do que enfeites: merece direção, ambição e futuro.

E, por respeito a todos, não deixarei que o brilho das lâmpadas substitua o brilho das ideias.”

SERGIO NEGRÃO