XVII Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede com espetáculos em Cordinhã, Febres, Casal (Cadima) e Ançã

O Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede de 2015 prossegue no próximo fim de semana, desta vez com quatro espetáculos, em Cordinhã, Febres, Casal (Cadima) e Ançã, cumprindo-se assim mais uma etapa do programa de revitalização da atividade teatral que a Câmara Municipal tem vindo a promover desde há 17 edições, com participação das entidades associativas que desenvolvem atividade nesta área.

O Grupo de Teatro “Cordinha d’Água”, do Rancho Folclórico Os Lavradores de Cordinhã, apresenta-se perante o público seu conterrâneo, na sede da Associação de Instrução e Recreio de Cordinhã, no sábado, 14 de Fevereiro, às 21:30 horas, com duas peças. “O que era e o que é”, escrita por Rosa Santos, remete para quadros sociais de há uns anos atrás, outros tempos que evidenciam notórias diferenças relativamente aos dias de hoje; “A menina e o Cisne”, adaptação de Olga Gomes do livro infantil homónimo de Rosa Lobato Faria, é uma alegoria sobre o triunfo do Amor como corolário da eterna luta entre o bem e o mal.

Também no sábado, às 21:30 horas, o grupo de teatro das Pequenas Vozes de Febres estreiam no Salão Paroquial de Febres “Frozen – O Reino do Gelo”, uma fantasia encenada tirando partido do encanto que envolve as produções da Disney e da candura e a doçura da expressão vocal do coro infantil que a apresenta. O enredo centra-se nas relações de amizade e fraternidade, não descurando os escolhos, as agruras, as dificuldades e as privações e provações que é necessário ultrapassar até se alcançar a recompensa da alegria e do amor.

Para além destes espetáculos, o Grupo de Teatro, Arte e Cultura da Associação Musical da Pocariça e o Grupo de Teatro da Associação do Grupo Musical das Franciscas cumprem o seu programa de itinerância em Casal de Cadima e Ançã, respetivamente, depois de terem iniciado a sua participação no XVII Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede no último fim de semana com atuações nas suas comunidades de origem. Assim, o Grupo de Teatro, Arte e Cultura da Associação Musical da Pocariça vai subir ao palco da sede da ACDC – Associação Cultural e Desportiva do Casal (Freguesia de Cadima), no próximo sábado, às 21:30 horas. O espetáculo é o mesmo da estreia, designadamente “Lembranças de Dois Conterrâneos”, uma viagem pelas memórias da vida cultural e artística da Pocariça, a partir de quadros alegóricos construídos com uma narrativa que tem na base a conversa de dois insignes pocaricenses, Ausenda de Oliveira e António Fragoso, personalidades que se distinguiram pela sua intensa participação e relevo cultural.

No domingo, 15 de Fevereiro, às 16:00 horas, o Grupo de Teatro da Associação do Grupo Musical das Franciscas vai apresentar no Centro Social de Ançã as peças que preparou para a edição deste ano do certame em que estão envolvidas 14 entidades que se dedicam às artes cénicas. Em “Qual das Duas”, uma senhora solteira cria uma sobrinha que ao atingir a maioridade foi ter com os pais à América e que de visita à sua protetora a encontra envolvida num tremendo equívoco; “Pagamento da Conta” tem como personagens centrais dois vizinhos que se tornam sócios para um negócio que nem eles sabem de quê e que decidem assinalar antecipadamente a obtenção de lucros com um jantar onde, depois de comerem por quatro e beberem por oito, recusam assumir a conta. A última encenação será “Os Dois Vizinhos Boticários”, ambos surdos que nem uma porta, os quais tratam de receitar remédios um ao outro para se curarem da maleita de que padecem.

 

Sobre o Rancho Folclórico “Os Lavradores” de Cordinhã

O grupo foi fundado em 19 de Outubro de 1978 por iniciativa do pároco da freguesia chamado Fernando e de um grupo de pessoas convidadas para o efeito, entre elas o músico Arsénio Cavaco. Cinco anos depois, mais propriamente no dia 17 de Fevereiro de 1983, foi legalizado por escritura pública no Cartório da Secretaria Notarial de Cantanhede e publicado no Diário da República III Série, n.º 81 de 8-4-1983 como Associação Cultural e Recreativa, denominada Rancho Folclórico de Cordinhã.

Este rancho esteve em atividade 15 anos consecutivos seguindo-se um breve interregno de cerca de três meses. Posteriormente reiniciou a sua atividade com a designação de Rancho Folclórico “Os Lavradores” de Cordinhã, que ainda hoje mantém.

Neste momento, ao grupo de adultos junta-se o grupo juvenil-infantil composto por 20 crianças, servindo simultaneamente de escola de folclore.

Além das atuações folclóricas também se tem dedicado ao teatro amador, tem participado em cortejos etnográficos do concelho e organizado e participado nas marchas populares.

Integrado nesta associação está o Grupo de Teatro Cordinha d’Água, composto por pessoas de todos os escalões etários, que participa nos Ciclos de teatro da Câmara Municipal de Cantanhede e nos Ciclos de Teatro organizados pelo INATEL, onde se encontra inscrito.

 

Sobre as Pequenas Vozes de Febres

O grupo Pequenas Vozes de Febres tem quatro anos de existência. Começou por se chamar Coro Infantil de Febres, alterando o nome em Abril de 2014, altura do seu quarto aniversário. É orientado por Anabela Rocha, principal obreira deste projeto. O grupo é composto por 50 crianças e jovens com idades compreendidas entre os 4 e os 14 anos. Nasceu a 16 de Março de 2010 e era inicialmente composto por 24 crianças. Em 2012 gravou o seu primeiro CD intitulado “Sonho de Criança”. Neste momento encontra-se a concluir o segundo CD, que será apresentado antes do Natal. Este grupo aposta na música portuguesa e para além da interpretação de canções já fez espetáculos com musicais da Disney.

Conta desde a sua formação com cerca de 75 atuações, dentro e fora do distrito de Coimbra. Este coro está integrado num projeto da Junta de Freguesia de Febres, estando portanto a receber o apoio logístico da mesma, desde o local de ensaios aos aspetos mais burocráticos.

A formação deste Coro teve como principal objetivo dar oportunidade a todas as crianças de se desenvolverem a nível musical, longe dos grandes centros urbanos, ajudando-as a adquirirem maior confiança e autoestima e essencialmente aprenderem a trabalhar em grupo, criando o gosto pela prática musical de conjunto.

Esta é a estreia deste grupo como grupo integrante do Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede e ao qual ditaram as sortes que assumisse também a atuação na sessão de encerramento do certame.

 

Maestrina Anabela Rocha

Anabela Rocha, diretora artística das Pequenas Vozes de Febres, pianista, foi professora de música num infantário durante sete anos, licenciada em Matemáticas Aplicadas – Ramo Educacional, mestre em Matemática e docente na Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho – Figueira da Foz. Desde sempre ligada à música tendo aperfeiçoado a sua formação no Conservatório de Música de Aveiro. Desde tenra idade participou em vários espetáculos e concursos na região centro, com vários artistas de renome, quer na rádio, quer na televisão.

Nos seus tempos livres de docência dedica-se a atividades culturais na escola e na comunidade local mostrando-se sempre disponível para abraçar projetos de índole cultural e musical.

 

 

Sobre o Grupo de Teatro, Arte e Cultura da Associação Musical da Pocariça

O teatro na Pocariça remonta ao ano de 1895, quando começaram a ser feitas várias representações por um grupo de amadores de Coimbra. Um dos elementos deixou o grupo e decidiu organizar uma sociedade dramática, apenas constituída por amadores da Pocariça, que foi designada de Recreio Artístico. Apesar da saída de alguns membros do Recreio Artístico pouco depois da sua fundação, o agrupamento ainda subiu ao palco em fevereiro de 1896.

Em 14 de julho desse mesmo ano nasceu outro grupo de teatro amador, que foi batizado de Sociedade Dramática Pocaricense e que teve a sua estreia com a peça “Os Milagres de Santo António”.

Um novo grupo dramático foi constituído em 1909 com o objetivo específico de angariar fundos para a construção de uma casa de teatro na Pocariça. Constituído exclusivamente por elementos da localidade, este grupo exibiu as primeiras peças em Abril, como a opereta intitulada “Canto Celestial” e outras peças, entre as quais um original de José Gomes Lopes, intitulado “Milagres de Amor”, o mais recordado de todos. Com a receita destas peças e com o produto de uma subscrição pública foi possível instalar um palco, camarins, vários cenários pintados e ainda pano de boca de cena.

Em abril de 1914 foi representada a última récita, uma vez que, pouco tempo depois, o prédio teve novo dono e desapareceu assim o passatempo de representar peças teatrais.

O Grupo Cénico da Pocariça surge já na década de 1950, sob orientação de Mário Pereira da Silva. Aí se revelaram atores amadores de grande vocação artística.

Para manter viva esta tradição ligada ao teatro amador, foi criado em 2000 o Grupo de Teatro, Arte e Cultura, no seio de outra coletividade de referência, a Associação Musical da Pocariça. A inspiração para este grupo está ligada ao trabalho artístico da atriz de teatro musical que conquistou fama a nível internacional, Auzenda de Oliveira, nascida na Pocariça em 1888.

O Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede, organizado pelo Município, serviu também de pretexto para trazer de volta a atividade teatral e de lhe dar um caráter sistemático e regular.

“Saudades da minha Terra” foi o primeiro êxito desta formação mais reduzida, mas também a opereta “Entre Duas Avé Marias”, peça dos anos 1950, ajudou a cimentar a reputação deste coletivo.

O Grupo participa ininterruptamente no Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede desde a sua 4.ª edição em 2001-2002.

 

 

Sobre o Grupo de Teatro da Associação do Grupo Musical das Franciscas

Remonta a largos anos atrás o envolvimento da população das Franciscas nas atividades das artes de palco, havendo dados que referem representações de 1931 como uma atividade bem expressiva da comunidade local, que com grande brio preparava as diversas atuações públicas. Esta prática manteve-se até 1960, sensivelmente, ao que se seguiu um período menos ativo.

Mas a paragem foi meramente pontual, pois a vontade, a arte e o engenho que caracteriza as gentes das Franciscas não tardou em voltar a manifestar-se, tendo a atividade teatral sido recuperada por volta de 1970, permanecendo em plena expressão até ao ano de 2002. O Grupo de Teatro da Associação do Grupo Musical das Franciscas foi um dos pioneiros no Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede que o Município de Cantanhede iniciou em 1998.

Posteriormente, por dificuldades várias, voltou a ausentar-se em algumas edições, mas regressa agora que está concluída grande parte das obras da sede social, com motivação acrescida e renovada dos seus corpos sociais.

Conforme referem os responsáveis, o grupo volta a aparecer em cena com pujança e vontade de fazer perdurar o legado cultural herdado de outros tempos e que se mantém com a predisposição natural da população das Franciscas para a representação teatral.

 

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