Universidade de Coimbra: Investigadores desenvolvem sistema para prevenir perda auditiva causada pela quimioterapia

22.12.2025 –

■ Projeto europeu aposta na telemedicina e na inteligência artificial para deteção precoce de riscos.

Investigadores da Universidade de Coimbra estão a desenvolver um sistema inovador para prevenir a perda auditiva provocada pela quimioterapia, um efeito secundário frequente e, muitas vezes, irreversível associado à utilização da cisplatina, um dos fármacos mais usados em oncologia.

A equipa integra o consórcio europeu CHAFT – Monitorização domiciliária para identificar riscos de deficiência auditiva causada pela cisplatina, financiado pelo programa EU-INTERREG-SUDOE. O projeto é coordenado pelo Centro Hospitalar Universitário de Montpellier e reúne instituições de Portugal, Espanha e França, incluindo a Universidade de Coimbra e o Instituto Português de Oncologia do Porto.

🔊 Testes auditivos em casa e acompanhamento à distância

De acordo com Joel P. Arrais, docente do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e investigador do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC), o objetivo passa por desenvolver e validar um sistema de telemedicina que permita a monitorização auditiva domiciliária de doentes submetidos a quimioterapia com cisplatina.

Através de uma aplicação instalada num tablet com auscultadores de redução ativa de ruído, os doentes poderão realizar testes audiométricos em casa, eliminando deslocações desnecessárias e garantindo um acompanhamento mais equitativo, especialmente em zonas rurais ou com menor acesso a cuidados especializados”, explica o investigador, que coordena o projeto na FCTUC.

🌍 Menos desigualdades e maior sustentabilidade

Além da vertente tecnológica, o projeto CHAFT assume também uma dimensão social e ambiental. Segundo Joel P. Arrais, a iniciativa pretende reduzir desigualdades no acesso aos cuidados de saúde e contribuir para a sustentabilidade ambiental, ao diminuir deslocações frequentes aos hospitais e otimizar a utilização de recursos clínicos.

🧠 Inteligência artificial ao serviço da medicina personalizada

O papel da FCTUC é particularmente relevante na componente de Inteligência Artificial do projeto. A equipa da Universidade de Coimbra será responsável pelo desenvolvimento de modelos de aprendizagem automática e pela análise de dados de sequenciação genómica, com o objetivo de identificar padrões farmacogenómicos associados à perda auditiva induzida pela cisplatina.

Esta abordagem permitirá prever quais os doentes com maior predisposição genética para desenvolver toxicidade auditiva, abrindo caminho a tratamentos mais personalizados e seguros.

A integração de dados clínicos, audiométricos e genómicos através de IA permitirá antecipar o risco de toxicidade auditiva antes que esta se manifeste, contribuindo para uma medicina verdadeiramente personalizada”, conclui o investigador.

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📰 Jornal Mira Online
📌 Fonte: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

Da esquerda para a direita: César Teixeira, Joel Arrais e Marco Simões