22.12.2025 –
Tradição mantém peso no orçamento, apesar dos primeiros sinais de contenção.

A mesa de Natal continua a ocupar um lugar central no orçamento das famílias portuguesas, mesmo num contexto económico exigente. De acordo com a 17.ª edição do estudo “Compras de Natal”, realizado pelo IPAM, 52% dos consumidores tenciona comprar produtos alimentares típicos da quadra, prevendo um gasto médio de 150 euros nesta categoria.
Os dados confirmam a força das tradições gastronómicas. Quando questionados sobre os produtos indispensáveis na ceia de Natal, o bacalhau lidera as preferências, escolhido por 65% dos inquiridos, seguido do bolo-rei (62%) e dos restantes doces tradicionais. O estudo indica ainda que 8% dos consumidores planeia recorrer a refeições prontas, uma tendência que se mantém em linha com o registado em 2024.

■ Sinais de contenção começam a surgir
Apesar da alimentação continuar a ser uma das áreas mais protegidas, o estudo do IPAM revela que 35% dos portugueses admite reduzir despesas associadas aos alimentos tradicionais do Natal, ajustando quantidades ou escolhas para equilibrar o orçamento familiar. Este esforço surge num ano em que o valor médio global das compras de Natal aumenta de forma ligeira, passando para 398 euros, face aos 392 euros em 2024, crescimento explicado sobretudo pelo impacto da inflação.
O inquérito mostra ainda que 12% dos consumidores não tenciona comprar presentes, um indicador que reforça a necessidade de redefinir prioridades num cenário de maior pressão financeira.

■ Mudança de hábitos torna-se estrutural
As alterações no comportamento de consumo são cada vez mais evidentes. 49% dos inquiridos afirma ter mudado hábitos devido ao contexto económico, optando por reduzir custos, limitar o número de pessoas a quem oferece presentes (41%) e planear compras com maior antecedência (27%), aproveitando períodos promocionais.
Ainda assim, a alimentação permanece entre as áreas menos sacrificadas. Para Mafalda Ferreira, docente e coordenadora da licenciatura em Gestão de Marketing do IPAM Porto e responsável pelo estudo, “os dados mostram que, independentemente das oscilações económicas, os portugueses protegem a mesa de Natal com particular cuidado”. A investigadora sublinha que o bacalhau, o bolo-rei e os doces tradicionais “formam um núcleo identitário que resiste a cortes noutras categorias”, sendo o gasto médio de 150 euros um reflexo da vontade de preservar rituais familiares.
A responsável acrescenta ainda que “os hábitos alimentares representam uma dimensão emocional do Natal, associada à memória, ao afeto e à convivência, fatores que explicam a dificuldade em reduzir esta despesa”.
■ Expectativas para 2026
O estudo evidencia também que a maioria dos consumidores pretende gastar valores semelhantes aos do ano anterior, identificando a inflação como a principal razão para o aumento do custo final. Quando questionados sobre desejos para 2026, os portugueses voltam a destacar a paz, a saúde e a estabilização das condições económicas, prioridades que refletem tanto o contexto internacional como as pressões sentidas no quotidiano.
Apesar dos ajustamentos nos padrões de consumo, a alimentação continua a ser o espaço onde os portugueses revelam menor disponibilidade para cortar, mesmo que os primeiros sinais de contenção já comecem a ganhar expressão.

■ O que é o IPAM?
O IPAM é a Marketing Business School que se dedica ao desenvolvimento de líderes de negócio capazes de criar visões estratégicas de sucesso num mundo em constante evolução. Situa-se em Lisboa e no Porto.
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📰 Jornal Mira Online
■ Fonte: IPAM



