19.11.2025 –
Quando as fortes chuvas caíram sobre o concelho do Tarrafal de Santiago, em Cabo Verde, no passado dia 13 de novembro, deixaram para trás um rasto de destruição que transformou vidas e testou a resiliência de uma comunidade inteira. Casas danificadas, colheitas perdidas, animais mortos, pequenos negócios arrasados – o estado de calamidade decretado refletia a dimensão do drama vivido pelas populações locais. Mas a resposta não tardou. A milhares de quilómetros de distância, em Cantanhede, um movimento de solidariedade ganhava forma e urgência.

Um Contentor Cheio de Esperança
Apenas cinco dias após a catástrofe, no dia 18 de novembro, a Columbófila Cantanhedense concretizava o envio de mais um contentor de ajuda humanitária destinado a apoiar a reabilitação das habitações dos munícipes mais vulneráveis do Tarrafal.
Lurdes Silva, Presidente da Direção Geral da associação, acompanhada pela Presidente Adjunta Magda Silva, coordenou esta operação que mobilizou uma impressionante rede de solidariedade. O contentor transportava materiais essenciais para a reconstrução: portas interiores e exteriores em madeira e PVC, tintas, equipamentos para casas de banho e janelas – generosamente doados pelo Grupo Os Mosqueteiros, sediado em Cantanhede.

Uma Corrente de Generosidade
O que torna este projeto verdadeiramente especial é a diversidade de contributos que o sustentam. Os empresários do BNI Equipa juntaram-se à causa com doações significativas, assim como a ADAV (Associação de Defesa e Apoio à Vítima). A S. José – Logística de Pneus, já parceira habitual destas iniciativas, voltou a contribuir com material pedagógico, mochilas e bolas de futebol da marca KBT, pensando nas crianças e no futuro daquela comunidade.
Mas a solidariedade estendeu-se muito além das empresas. Famílias de Cantanhede e da região abriram os seus armários e corações, doando vestuário, calçado, brinquedos, livros, manuais escolares e louças. Um gesto particularmente tocante veio das crianças da Casa da Criança Maria Granado, da Fundação Bissaya Barreto, em Coimbra. No âmbito do projeto “Dei um Brinquedo, Ganhei um Amigo”, estas crianças não só ofereceram prendas como também contribuíram com vestuário, produtos alimentares, calçado, material escolar e medicamentos.
O Papel Fundamental do Município
Lurdes Silva não deixou de expressar a sua profunda gratidão ao Município de Cantanhede, cujo apoio logístico tem sido fundamental desde o primeiro contentor enviado. “Sem essa colaboração, enfrentaríamos grandes dificuldades na concretização deste projeto de cooperação solidária”, reconheceu a presidente, sublinhando que este enquadramento permite à associação continuar a “acalentar o sonho solidário” em Cabo Verde.
A presidente agradeceu também aos voluntários Joaquim Costa, José Laurindo, António Rocha e Evaristo Grilo, que mais uma vez se dedicaram incansavelmente a esta iniciativa, garantindo que cada item doado chegasse ao seu destino.
Cooperação com impacto real
O que distingue o trabalho da Columbófila Cantanhedense é a sua abordagem diferenciadora. Não se trata apenas de enviar ajuda pontual, mas de estabelecer uma cooperação sustentada que promove melhores condições de vida às famílias mais carenciadas do Tarrafal, combatendo efetivamente a pobreza e a exclusão social.
Quando o contentor partiu rumo a Cabo Verde, levava consigo mais do que materiais de construção e bens essenciais. Transportava a prova de que a distância geográfica não diminui a capacidade humana de se solidarizar com quem sofre, e que pequenas comunidades podem ter um grande impacto quando se unem por uma causa comum.
Para as famílias do Tarrafal de Santiago que perderam tanto nas chuvas de 13 de novembro, este gesto representa não apenas ajuda material para reconstruir as suas casas, mas também a certeza reconfortante de que não estão sozinhas na sua recuperação.
Jornal Mira Online





