Saiba que salários vão subir e descer

Salários sobem nas chefias intermédias e nos trabalhadores do sector comercial e baixam nos administradores e operários. Recém-diplomados recebem menos 650 euros por ano. Um quarto das empresas já fez adiantamentos aos trabalhadores.

Os salários de director – geral, chefe de 1ª linha e dos profissionais do sector de vendas deverão subir no próximo ano. Já os vencimentos dos administradores e dos operários, pelo contrário, vão sofrer uma redução, revela o estudo da “Mercer Total Compensation Portugal 2015” divulgado esta quinta-feira.

O diagnóstico feito pela consultora aponta para “uma diminuição de incrementos salariais nas funções de topo e nas funções de menor responsabilidade: directores – gerais, administradores (-1,6%) e operários (-1,3%)”.

O estudo realizado pela consultora Mercer é baseado na análise de 112 mil postos de trabalho em cerca de 300 empresas a operar em Portugal.

O estudo revela, ainda, que na entrada no mercado de trabalho, os recém-licenciados tiveram uma diminuição de salários. Actualmente, um diplomado ganha no mínimo 11.950 euros anuais e no máximo chegar aos 18.000 euros por ano. O que representa uma quebra de 650 euros no salário anual mínimo de quem tem um curso superior, relativamente ao ano anterior. Em 2014, o salário mínimo de um recém – diplomado era de 12.600 euros.

Os salários vão aumentar nas chefias intermédias, cerca de 1,5% e cerca de 0,7% nos directores de 1ª linha.

No próximo ano deverá registar-se uma diminuição das categoriais funcionais que terão aumentos salariais. O grupo de vendas e comerciais será a excepção.

De acordo com o estudo da Mercer, todos os incrementos salariais serão determinados pela política geral das empresas. Na decisão final dos aumentos de salários, os resultados individuais dos trabalhadores contam 76% e o resultados da organização cerca de 68%.

Já a antiguidade e o nível funcional “são os factores que menos influenciam na atribuição do nível salarial”, subinha-se nesse estudo.

Mas as subidas de salários “tendem a ser cada vez mais uniformes” por níveis funcionais revela Tiago Borges, responsável pela área de estudos de mercado da Mercer. Mas “há uma tendência para uma maior penalização dos níveis funcionais com mais responsabilidade em períodos de recessão, bem como uma recuperação mais acentuada em períodos de expansão de actividade”.

Empresas voltam a aumentar salários
Segundo este relatório da Mercer as empresas começam “a voltar a praticar por norma incrementos salariais positivos”. O que “reflecte a preocupação de recuperar competitividade nas estruturas de remuneração, depois de um período em que a preocupação dominante foi o reequilíbrio financeiro”. Mas, de qualquer forma, neste ano já se registou “um aumento real de salários efectivamente pagos, na maior parte dos grupos funcionais”.

Até agora, uma em cada cinco empresas optou por congelar salários, um “número excepcionalmente elevado”, refere o estudo. Esta estratégia foi adoptada “como medida de redução do peso da massa salarial nas estruturas de custos das organizações”, acrescenta o estudo.

O mês de Março é o preferido pelos empregadores para anunciar os aumentos salariais (32%).

Quando olhamos para o topo das organizações conclui-se que 5% dos quadros que ocupam essas posições são expatriados.

Uniformização dos pacotes de remuneração veio para ficar
Para o próximo ano é também esperada uma uniformização dos “pacotes de remuneração e incrementos salariais a longo prazo”, o que significa um alinhamento de Portugal com as práticas do espaço económico europeu, revela o estudo da Mercer. Um fenómeno que se explica, de acordo com o relatório, pela “crescente integração dos mercados laborais europeus, devido a uma crescente mobilidade do factor trabalho”.

Entre os benefícios mais comuns dos trabalhadores, para além do salário, o Plano Médico Privado surge como 1ª opção para 92% das empresas inquiridas. Seguido do Plano Privado de Pensões que é atribuído em 44% das organizações.

Na lista de outros benefícios, a atribuição de férias extra é prática de 65% das empresas. Cerca de 40% optam por comparticipar na formação dos trabalhadores.
Uma curiosidade é que o ‘plafond’ médio mensal de telemóvel pago atribuído pela empresa é de 52 euros. Na lista de outros apoios, um quarto das empresas diz ter já concedido um empréstimo/adiantamento aos trabalhadores.

Fonte: económico