12.02.2026 –
Projeto preserva décadas de história local e fica disponível online e em quiosques interativos

A memória de uma comunidade não se guarda apenas em fotografias antigas ou em recordações partilhadas à mesa. Guarda-se também nas páginas de um jornal.
O Salão Nobre da Junta de Freguesia de Febres acolheu, no passado sábado, 7 de fevereiro, a sessão pública de apresentação do arquivo digital do jornal Auri-Negra, um projeto que recupera mais de três décadas de história local e que passa agora a estar ao serviço da população.
Desenvolvido com tecnologia do Museu LOAD ZX, o arquivo resulta de um processo de digitalização, organização e disponibilização online de todos os exemplares da publicação.

📚 Um jornal com raízes profundas
O Auri-Negra nasceu em 1986, na vila de Febres, concelho de Cantanhede, pela mão da Auri-Negra – Cooperativa de Informação e Cultura, C.R.L., mantendo-se ativo até 2001 nessa estrutura. Entre 2002 e 2019, a edição transitou para a Gira Sol – Associação de Desenvolvimento de Febres.
Mas a história começa ainda antes.
Nos seus primeiros números, o jornal assumia-se como herdeiro de outras publicações locais iniciadas nos anos 60 do século XX, nomeadamente da Juventude Académica de Febres. Por isso, o projeto agora apresentado foi alargado para integrar todas as publicações que foi possível localizar, criando um verdadeiro repositório da imprensa local.
Durante anos, o Auri-Negra foi muito mais do que um jornal: foi espaço de participação cívica, cultural e associativa. Chegou a contar com mais de 3.000 assinantes espalhados pelo mundo, acompanhando também as comunidades emigrantes ligadas a Febres.
💬 “Preservar as memórias é preservar a alma”
Na sessão, a presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena Teodósio, sublinhou a dimensão identitária do projeto:
Preservar as memórias da comunidade é preservar a alma de cada lugar. Sem memória, a história apaga-se e a identidade enfraquece.”
A autarca deixou ainda um agradecimento especial a João Diogo Ramos, dinamizador da iniciativa, destacando o propósito de honrar o passado e preservar um património histórico coletivo.
Antes da inauguração de um dos dois quiosques digitais interativos — que permitem uma consulta simples e intuitiva do jornal — Helena Teodósio reforçou:
Quando as pessoas conhecem a sua história, têm um sentimento maior de pertença e orgulho do lugar onde vivem.”
Um dos quiosques ficará instalado na Casa-Museu Carlos de Oliveira, em Febres, e o outro na Biblioteca Municipal de Cantanhede. A solução tecnológica foi inspirada num projeto semelhante desenvolvido pelo Museu LOAD ZX em parceria com a Hemeroteca Nacional, estando já previsto um upgrade da plataforma.
🏛️ Estratégia para preservar a memória local
O vice-presidente da Câmara com o pelouro da Cultura, Pedro Cardoso, destacou a importância da memória do concelho, apresentando vários projetos municipais que visam preservar e valorizar o património histórico e cultural.
Segundo o autarca, este arquivo digital representa:
O pontapé de saída de uma estratégia estruturada de preservação e garantia de acesso público à memória documental do concelho.”
Mais do que um simples exercício de arquivo, trata-se de conjugar memória, história e tecnologia, assegurando acesso fácil e generalizado a este património documental.
🎁 Uma homenagem com dimensão pessoal
Visivelmente emocionado, João Diogo Ramos, promotor do projeto, explicou que a iniciativa pretende reconhecer o trabalho de todos quantos contribuíram para afirmar o Auri-Negra como espaço de participação cívica e cultural.
Esta é a prenda que dou a Febres. Esta é a homenagem que fazemos ao meu pai.”
A referência é a Silvino Ramos, diretor do jornal entre 1986 e 2001, figura central da Cooperativa Auri-Negra e membro fundador da Associação Geração Spectrum, entidade que dinamiza o Museu LOAD ZX. A apresentação do arquivo coincidiu com a data em que faria 75 anos.
🤝 Comunidade reunida em torno da memória
Na sessão intervieram ainda o presidente da Junta de Freguesia de Febres, Carlos Lote, a presidente da Associação Gira Sol, Catarina Façanha, o coordenador da 1.ª série do jornal desde 1991, Cidalino Madaleno, e o diretor do Auri-Negra durante parte da 2.ª série, António Fresco.
O arquivo digital do jornal Auri-Negra encontra-se disponível online, com acesso livre à população, em:
📌 https://arquivo.aurinegra.com
Jornal Mira Online
Fonte: Município de Cantanhede




