12.02.2026 –
Projeto europeu transforma edifícios em “centrais elétricas virtuais” e reduz faturas sem perder conforto

Reduzir até 30% do consumo energético de um edifício sem comprometer o conforto dos utilizadores já não é apenas uma projeção teórica — é um resultado comprovado.
Os projetos-piloto do BungEES – Building Up Next-Generation Smart Energy Services Offer and Market Up-take, iniciativa europeia que contou com a participação do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), demonstraram que é possível alcançar poupanças significativas em edifícios residenciais e de serviços, reforçando simultaneamente o papel ativo dos consumidores na transição energética.

🏢 Coimbra como laboratório de inteligência energética
O edifício do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC funcionou como um verdadeiro laboratório vivo de energia inteligente.
Ali foram testadas tecnologias de ponta como:
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🔌 Internet das Coisas (IoT)
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❄️ Automação da climatização
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🔋 Armazenamento de energia em baterias
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🚗 Carregamento inteligente de veículos elétricos
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☀️ Produção solar fotovoltaica
O objetivo foi integrar todos estes sistemas numa lógica de automação capaz de prestar serviços de flexibilidade à rede elétrica nacional, transformando edifícios comuns em autênticas “centrais elétricas virtuais”.
Além do piloto universitário, o projeto realizou ainda testes em larga escala no setor habitacional da cidade de Coimbra.

📉 Redução de consumo entre 15% e 30%
O projeto, que decorreu também na Alemanha, França, Espanha, Eslováquia e República Checa, apresentou resultados claros: reduções entre 15% e 30% no consumo de energia para aquecimento e arrefecimento.
Segundo Nuno Quaresma, coordenador do projeto e investigador do ISR:
O BungEES demonstrou que é possível reduzir as faturas de eletricidade e as emissões de CO₂ sem sacrificar o conforto dos utilizadores.”
Em Portugal, a aplicação de algoritmos de automação permitiu aos consumidores deslocarem o consumo para horários de menor carga, evitando sobrecargas na rede elétrica nacional.
🔄 Um único ponto de contacto para o consumidor
Uma das grandes inovações introduzidas pela FCTUC foi a simplificação do processo para o cidadão.
Em vez de lidar com múltiplos fornecedores para:
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painéis solares
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baterias
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carregadores de veículos elétricos
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auditorias energéticas
passa a existir um modelo integrado de serviço, designado “one-stop-shop”, que centraliza todo o processo num único ponto de contacto.
A médio prazo, este modelo poderá permitir que consumidores sejam remunerados por apoiar a estabilidade da rede elétrica, tornando-se parceiros ativos do sistema energético.
🇪🇺 Alinhado com o “Fit for 55”
A iniciativa está alinhada com o plano europeu “Fit for 55”, que pretende reduzir em 55% as emissões de gases com efeito de estufa até 2030.
Com a validação técnica realizada em Coimbra, o modelo BungEES encontra-se agora preparado para ser replicado noutras cidades europeias, atraindo investimento privado e acelerando a modernização do parque edificado.
Embora o projeto esteja formalmente concluído, o legado técnico permanece nos laboratórios da FCTUC e servirá de base para a próxima geração de serviços energéticos inteligentes na Europa.
🎓 Impacto na formação e no mercado de trabalho
Os pilotos instalados em Coimbra transformaram-se num verdadeiro “laboratório vivo” para estudantes e investigadores.
Isto ofereceu uma experiência prática inestimável que vai além da simulação”, destaca Nuno Quaresma.
O contacto direto com tecnologias como IoT, inteligência artificial aplicada à energia e gestão de rede permitiu o desenvolvimento de competências altamente valorizadas nos setores da energia, tecnologia e sustentabilidade.
Mais do que um projeto europeu, o BungEES deixa assim um impacto académico, económico e ambiental duradouro.
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