Ainda é uma jovem (nasceu a 8 de Setembro de 1985) mas Micaela já escreve há muitos anos…
Micaela Adriana Morais é uma mulher normal, com os mesmos anseios e as mesmas preocupações de uma pessoa da sua idade, e demonstra numa conversa informal uma humildade e uma sensibilidade que não se encontra tão facilmente, por aí…Também por este motivo, para além das qualidades literárias que possui, o Jornal Mira Online resolveu procurar Micaela para uma conversa informal e interessante…
Mas, quem é ela, afinal? Segundo a nossa convidada, é uma “pessoa muito tímida, introvertida e simpática, que gosta de pessoas alegres e comunicativas, mas que não aprecia pessoas que digam “não” a tudo”.
Uma rapariga de bem com a vida, é o que ela é! Sempre pronta a “ajudar a quem precisa”. Talvez por isto tenha escolhido a área do Serviço Social, e está “na luta por um trabalho” na sua área de formação. Não anda fácil, mas Micaela é uma batalhadora, e não desarma, pois está consciente das dificuldades – que são mais que muitas – dos tempos que correm.
Quanto à literatura, é já autora de um livro a solo, “As vozes do pensamento e da realidade” e tem outro na calha para ser publicado ainda neste mês de Fevereiro, intitulado “Premonições”. Participou em várias coletâneas, também, e vai construindo a sua carreira paulatinamente. Escreve por que gosta. Escreve “porque sim”…
Micaela confessa-se “feliz” quando passa para o papel, ou para o ecrã do seu pc, tudo o que lhe vai na alma. Garante mesmo, que todos “sonhamos através do livro, e este nos enriquece a cada página”. Para ela, “escrever é uma forma de não estar parada, ajudando quem lê, a refletir sobre sua vida”
O padrasto foi quem a incentivou a ter o gosto da leitura. Começou a escrever mais afincadamente após a sua morte, e tem a certeza de que ele ficaria “contente” em ver que ela está a dar os passos necessários para “ser alguém neste meio complexo da literatura”, onde são poucos os que singram, na verdade.
Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Sandor Marai, Miguel Torga, José Luís Peixoto, Susana Campos, Miguel Almeida e José Saramago, são suas referências literárias. Nem todos tem o “seu” estilo de escrita, mas em cada um vê algo que possa aprender. Confessa ter um estilo “bastante sentimentalista, já que escrever é um desabafo”, e que gosta de descrever em cada linha do que escreve, o “meio em que estamos inseridos”.
Sem receio de deixar de agradar às pessoas pela sua posição política, Micaela Morais confessa ser uma “socialista convicta, mas não o que chamamos de socialismo atualmente, e sim, um socialismo verdadeiramente puro que não privilegie as palavras, mas sim, as ações”. Por isso, garante ela, “não me importa se quem esteja à frente dos nossos destinos seja “a” ou “b”, mas sim, que faça um trabalho verdadeiramente virado para a sociedade e para os que mais necessitam”.
Muito ainda poderia ser dito de Micaela Adriana Morais. Mas, não haveria espaço suficiente para “mostrar a face” desta moça que, por vezes, parece “Don Quixote” a lutar contra alguns “moinhos de vento” que vão aparecendo, por vezes, desde que publicou o seu livro. Como aqui já foi dito, ela é uma guerreira, que sabe o que quer, e pensa saber como lá chegar. Tal como “Don Quixote”, não tem medo dos obstáculos, mas – ao contrário de “Don Quixote” – estes não são imaginários.
Micaela é um poço de inteligência (quem conversa com ela durante meia hora, percebe facilmente) e possui uma força interior que não a deixa deitar a toalha ao chão nos momentos menos bons. Estas são algumas das características dela. E fazem parte de todo um ser que procura, ao escrever, deixar o mundo um pouco melhor…
Aqui ficam dois bons exemplos do que o sentimento dela é capaz de construir…
Sentimentos
A sua fatalidade enche-me de coragem
De poder merecer as injúrias para as quais é capaz
De poder salvar aquele luzir que enfeitça o meu ser
E que urge de um sol específico, monótono e mentiroso.
Acorda irmão, faz experienciar as ausências;
Faz ministrar as alegrias
Recebe em meu pudor a eternidade de um ser absorto e eficaz
Lugre pelo meu ser vertiginoso
Como se se pudesse esvair o seu amor longínquo
Amor és só tu aquele que amo, aquele que me persegue,
Aquele pelo qual me devoto em meu alcance e teu
Sorriso faz escapar mil letras para que pudesse
Definir uma linha vertical da vida no horizonte.
Crepúsculos ingénuos desvanecem a essência do seu olhar
Como se imaginariamente esculpisse a alma na areia esbranquiçada
Antúrios, flores, flores, flores e flores ressurgem no átrio do vácuo
Como se sobressaíssem de uma alegre pintura desvanecida pela idade
Como se pudessem invocar o seu nome e objeto de toda a maldade.
É por isso se Deus e os Santos fizeram o mar, a água, a alegria de viver
Só Deus sabe quanto me custa repetir aquele sentimento que faz parte de
Um sofrimento inigualável de alguém que sofre por não ter ninguém-
A seu lado
O Sonho de um Menino
Caindo chuva ou fazendo sol sinto o rodopiar
De uma estrela cintilante que me encaminha na minha vida.
Os seus olhos brilhantes chamam-me e incentivam-me por uma luta.
Mas, valia mais uma certa disputa do que o sorriso de uma criança
Que no mundo deixa transparecer a sua inocência e esperança.
Dúvidas incertas, inexistentes proclamam com sabedoria: a paz e o amor.
Paredes nostálgicas sofrem por não terem ninguém…
A beleza essa fica em desalento e com esmorecimento e em contratempo
Sinto o vaguear do papel em que o menino vai declamando seriamente para as pessoas.
Sinceramente, que este sonho verídico se torne em realidade
Que estas paredes desapareçam; que este sonho irónico saia do pensamento
E que o rodopiar constante da estrela me continue a encaminhar
Ao longo da minha vida.
Não esquecendo o sonho do sorriso do menino traquino
Que sentimentalmente merece uma salva de palmas sinceras.
E que dentro das almas calmas possam conduzir a uma vida tranquila para mim
E para o outro, pacífica continuamente, terna e sentimental.





