Londres avisa que ‘Brexit’ pode levar mais países a sair da UE

Governo britânico promete negociar até à última hora para obter um bom acordo na renegociação da relação do país com Bruxelas.

O Reino Unido disse ontem esperar conseguir um bom acordo com a União Europeia (UE) para a renegociação da relação do país com Bruxelas, tendo alertado que a sua saída da Europa pode levar outros países a fazer o mesmo.

“Temos que ter em mente que existe um receio real na Europa de que, se o Reino Unido sair, isso gere um ‘efeito de contágio’”, declarou o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Philip Hammond, em declarações à BBC. Este responsável avisou que, “todos os que estão a favor de uma saída do país da União Europeia esquecem-se de que os países que ficarem dentro da União vão começar a olhar para a população dos seus próprios países, que se começará a questionar sobre ‘se os britânicos podem fazê-lo, porque é que nós não podemos? Não será por isso do interesse destas nações que nós prosperemos fora da UE”, alertou.

As declarações decorrem numa altura em que o primeiro-ministro britânico David Cameron intensifica os seus esforços para conseguir um bom acordo para o Reino Unido na reunião do Conselho Europeu que terá lugar em Bruxelas, nos próximos dias 18 e 19.

Apesar do pessimismo dos britânicos sobre o resultado dos encontros – as mais recentes sondagens indicam que apenas 21% esperam que Cameron consiga um bom resultado, contra 58% que duvidam do sucesso das negociações -, Philip Hammond prometeu que Londres vai continuar os seus esforços, de modo a que um acordo final mostre “um caminho claro para a soberania nacional do Reino Unido”.

Admitindo que há muitas áreas “por negociar”, Hammond recordou que ainda não há um acordo, apenas propostas. “Não tenho dúvidas de que isto vai continuar até à última hora. E se então não tivermos o que desejamos, vamos continuar a negociar” nos próximos meses, sublinhou. O governante recordou que, embora o referendo sobre a permanência do país deva ter lugar até ao final de 2017, este poderá ser antecipado se as negociações foram concluídas com sucesso nos encontros do Conselho Europeu de Fevereiro ou de Março. Um dos pontos de discórdia é o facto do Reino Unido querer retirar por um período de quatro anos os apoios laborais aos trabalhadores comunitários, o que é resistido pelos países do Leste da UE como uma discriminação contra os cidadãos europeus. Mas Hammond notou que a proposta negociada com o presidente do Conselho, Donald Tusk, prevê essa possibilidade, que era vista como “impossível” até ao início do ano.

“Conseguir um acordo para tratar de modo diferente as novas chegadas durante quatro anos representou um grande avanço e desafia uma das ‘vacas sagradas’ da ideologia europeia”, que é a livre circulação de pessoas no espaço europeu, disse o ministro.
As pretensões britânicas poderão ser atendidas, já que na sexta-feira tanto a chanceler alemã Angela Merkel, como a primeira-ministra polaca, Beata Szydlo, disseram que desejam “fazer tanto quando possível para manter o Reino Unido na UE”.