Juízes em greve após autárquicas. Validação dos resultados eleitorais em causa

Associação Sindical dos Juízes Portugueses pondera marcar a paralisação para outubro em vez de agosto, como estava previsto. A greve poderá atrasar a validação dos resultados eleitorais.

No início de junho, os juízes admitiam a possibilidade de uma greve em agosto, depois de a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) não ter chegado a acordo sobre a revisão do estatuto dos magistrados com a ministra da Justiça.

Em causa, segundo os juízes, está a recusa do Governo em aumentar os salários dos juízes, por ocasião da revisão do estatuto profissional. Uma vez que o impasse se mantém, os juízes admitem agora uma paralisação no início de outubro, o que pode colocar em risco uma validação atempada dos resultados das eleições autárquicas, que estão marcadas para o dia 1 de outubro,

“Se os juízes estiverem em greve nessa altura não farão esse trabalho e, portanto, será preciso alterar as datas e prolongar o processo. Não é que ele não ocorra, porque a greve não se vai manter indefinidamente, mas não ocorrerá nos prazos inicialmente fixados”, disse, em declarações à TSF, Manuela Paupério, a presidente da Associação Sindical de Juízes.

Manuela Paupério garante que ainda há margem para negociar com o primeiro-ministro, António Costa, e com a ministra da Justiça, Francisca van Dunem, mas diz que se não houver uma resposta positiva às reivindicações, os juízes avançam mesmo para a greve.

“Até lá interpelamos o senhor primeiro-ministro – sendo que já entregámos uma carta aberta -, chamando-o à discussão, e pedindo-lhe que intervenha, para que efetivamente discuta todo o estatuto”, diz, e acrescenta: “Não havendo resposta positiva, então a greve está, desde já, agendada para ser realizada no mês de outubro..

A presidente da Associação Sindical de Juízes garante ainda que ao alargar o prazo para a discussão os juízes estão a demonstrar “muito boa-fé” e uma “grande e abertura” no processo.

 

 

Fonte: TSF

Foto: DR