“FUNDOS COMUNITÁRIOS EM MIRA: Passado e Futuro”
Este tema é bastante abrangente, não devendo desligar o passado, o presente e o futuro. O último quadro comunitário de apoio, 2007-2013, está no fim. Neste momento iniciou o novo quadro comunitário, Portugal 2020, que decorre entre 2014 e 2020 e as oportunidades não podem ser desperdiçadas. No entanto, devemos olhar para este período planeando e assumindo uma estratégia bem definida e que veja para lá de 2020, precavendo e incluindo na sua agenda o período seguinte de investimento em Portugal.
Ao analisar Mira quando o PS chegou à Câmara, constatamos que o nosso concelho sofria dum atraso estrutural confrangedor. Apesar dos fundos comunitários já terem chegado ao nosso país há muitos anos, a verdade é que, até essa data, pouco tinha chegado até nós. Prova disso, era a raridade de obras que tivessem sido realizadas nas nossas terras com o auxílio dos fundos europeus ou estatais. Não se via uma placa de obra referente a estas situações.
Sendo estes artigos, de componente política significativa, no sentido mais genuíno do termo, convém recordar, em abono da verdade, que desde o 25 de Abril até hoje, o PSD esteve à frente da Autarquia muito mais tempo do que o PS. Contudo, as obras realizadas pelo PS, são, indiscutivelmente, superiores às do PSD, tanto em quantidade, como em qualidade. Não nos afronta a politização dos assuntos. Pensamos mesmo que a intervenção cívica é salutar. Condenável e redutor é, na base de aproveitamentos mesquinhos, procurar desvirtuar a verdade dos factos, através de propaganda, de boatos ou mentiras. Ou mais grave e dentro deste espírito é alguém procurar silenciar as opiniões e o direito ao contraditório, como ainda agora aconteceu num debate sobre as legislativas, ocorrido na Incubadora, numa clara afronta ao espírito democrático.
De facto, nos últimos anos, Mira transformou-se positivamente. Fez-se tudo bem? Não, e muito está ainda para se poder fazer. Mas, é importante recordar que Mira, no anterior mandato autárquico, teve uma taxa elevadíssima de execução dos fundos comunitários. Ainda, hoje, estão a ser realizadas algumas obras com essas candidaturas e com esses “dinheiros”, sendo o exemplo mais nítido as obras do Programa Polis (algumas ainda em execução). Para além disso, importa recordar que as finanças da autarquia foram deixadas em muito bom estado, tendo o actual executivo condições para “trabalhar”, como ninguém. Situação económica saudável, projectos feitos, obras em andamento, candidaturas aprovadas e em aprovação…
Registemos então, algumas das obras realizadas durante as gestões socialistas e que mereceram, direta ou indiretamente, os apoios comunitários e estatais. Na verdade foram milhões que chegaram ao nosso concelho.
Eis alguns exemplos:
– estrada Mira/Praia ou Praia/Corticeiro;
– estrada Mira/Cantanhede;
– variantes à Praia;
– estrada Praia/Barra;
– tapetes EN109 e ponte da Balança e Cabeço;
– A 17;
– Pista ciclo-pedonal (Prémio Nacional do Ambiente);
– Lar de Idosos de Mira (2ª fase);
– Lar de Idosos do Seixo;
– Piscina Municipal;
– Museu Território da Gândara;
– Recuperação da Casa do Visconde;
– Cercimira;
– Quartel dos Bombeiros (2ª fase);
– Pólo Educativo da Lentisqueira;
– Pólo educativo do Casal;
– Pré-primárias do concelho;
– Escola de Mira;
– Estádio Municipal;
– Abastecimento de água à Corujeira, Cavadas, Colmeal, Ramalheiro, Lentisqueira, Leitões, Arneiro, Corticeiro, Carapelhos, Marco Soalheiro e Zonas Industriais;
– Bungalows do parque de campismo e balneários;
– Campo de tiro;
– Milhões em saneamento em baixa e em alta (sistema integrado da Ria de Aveiro);
– Casa da música;
– Centro Cultural da Praia;
– Extensão de saúde da Praia;
– Museu etnográfico da Praia;
– Lota da Praia;
– Aquinova;
– Habitação social de Carromeu/Casal;
– Infraestruturas Polo II;
– Novos armazéns;
– “Marginal” da Praia;
– Aprovação Programa Polis (cancelado em 2013 pelo atual Governo por motivos eleitoralistas);
– E outras e outras…
Esta é uma realidade insofismável e comprovada. Querer mascará-la, para teimosamente passar a mensagem que o concelho regrediu, é mera demagogia inútil, com fins politiqueiros. Alguns sonham, através de mentiras, ascender a qualquer forma de controlo político. Contudo, a verdade é que o PSD e o PS têm sido as forças que têm gerido o concelho e, na realidade política atual, não se vislumbra outro cenário. O mesmo, aliás, acontece no país.
Novos fundos se vislumbram para os próximos anos. A inovação e o desenvolvimento são a base do novo investimento, todavia não pode ser esquecida a estratégia que irá alavancar todo este investimento. Esperemos que Mira esteja atenta e tenha capacidade política e técnica para segurar as verbas. Na verdade, o concelho necessita de melhorar nos domínios do Ambiente, Educação, Emprego, Reabilitação urbana e na área social e empresarial, no ordenamento florestal e agrícola e noutros aspetos do sistema hídrico e do investimento económico, como, o turismo ou o fundo empresarial. E, na verdade, apesar das últimas manobras de diversão política, com este governo, Mira não teve significativa vantagem. Muito pelo contrário, comprometeu até o seu futuro financeiro, como iremos constatar (infelizmente).
Por nós, independentemente de sermos poder ou oposição, daremos sempre o nosso contributo na reposição da verdade e na conquista de benfeitorias para a nossa terra. Estamos sempre disponíveis para colaborar numa estratégia coletiva, mas nunca para “fazer de conta”, tentando passar uma mensagem diferente da verdade. A preparação deste novo quadro comunitário é de elevada importância, a estratégia a definir não deve ser um conjunto de páginas de papel onde se escreve generalidades. Devia ter sido projetada uma estratégia inclusiva, verdadeiramente estrutural e de coesão real. Esperamos que ainda seja possível alterar alguns caminhos e decisões erradas…
Para que Mira aproveite as oportunidades e retome a sua matriz cultural e a sua afirmação identitária e civilizacional.
Partido Socialista de Mira



