01.06.2025 –
“Chega o calor, e com ele o cheiro a manjerico, a música ao longe, as luzes coloridas penduradas entre prédios e largos. As festas populares e os festivais de verão voltam a tomar conta das ruas e das praças, e com eles regressa também algo mais difícil de ver, mas essencial: a possibilidade de estar com os outros, de pertencer, de partilhar.

Num tempo em que o isolamento social se tornou, para muitos, uma realidade silenciosa, estes eventos são essenciais para socializar. Espaços de reencontro e de celebração coletiva onde, entre um concerto e uma gargalhada, se cuida da saúde mental — mesmo sem dar por isso.

A socialização é uma necessidade básica do ser humano. Desde que nascemos que procuramos o outro — no olhar, no gesto, na presença. E ao longo da vida, vamos construindo uma teia de relações que nos segura nos dias bons e, sobretudo, nos dias difíceis. Mas por vezes, acontecimentos da vida nos levam a isolar-nos, como, perdas, mudanças, rotinas exaustas, e quando damos por isso, estamos sozinhos. O isolamento instala-se e, com ele, crescem o silêncio, a ansiedade, a tristeza.

É por isso que as festas populares não são apenas festas. São espaços de pertença. São reencontros inesperados, são lembranças de que fazemos parte de algo maior. Promovem o contacto com diferentes pessoas, com outras culturas e formas de estar, aumentando o nosso mundo interior e quebrando a rigidez dos nossos dias.
Participar nestes eventos não cura tudo, é certo. Mas ajuda. E muito. É uma pausa na rotina, uma lufada de ar fresco emocional. Um lembrete de que, no meio da multidão, há sempre espaço para o encontro. E que a alegria partilhada tem um poder transformador.
Por isso, se puder, vá. Dance, ria, esteja. Não só pelo divertimento, mas pela saúde. Pela sua e pela dos outros.”


Psicóloga Andrea Costa
C.P. 24454




