EDITORIAL: A Volta a Portugal deve continuar?

15.08.2026 –

“Ontem foi um dia negro, para o desporto português. Foi um dia negro para o país, como um todo.

Finlay Tarling, ciclista de apenas 19 anos, da equipa suiça UCI Continental NSN Development Team, perdeu a vida de uma forma completamente absurda: atropelado por uma carrinha que circulava em pleno palco da Volta a Portugal.

Aqui, não se trata de culpar o condutor por estar na estrada enquanto ainda decorria a prova nem a GNR, pelo facto de ter acontecido uma quebra da segurança, que é fundamental numa prova ciclista. Para isso, existem as autoridades competentes que irão, certamente, investigar e concluir o motivo pelo qual ter acontecido tal tragédia.

Mas, há uma questão que podemos – e devemos –  todos nós, meditar: será mesmo possível continuar a deixar a caravana da Volta rolar pelas estradas do norte, durante mais dois longos dias?

Em nome de quê? de compromissos assumidos perante autarquias por onde os atletas passam? de patrocinadores que esperam ver os seus investimentos serem – justamente – rentabilizados através da publicidade? 

É que, a vida humana não tem preço. A estabilidade emocional dos ciclistas e do staff de cada equipa participante deve ser preservada. A força anímica vinda do público apaixonado, inevitavelmente, não será a mesma que existiu até ao momento em que uma vida se perdeu…

Se a Organização da prova e a Federação Portuguesa de Ciclismo quiserem, encontrarão formas de compensar aqueles a quem a falta de dois dias de competição irá afetar. Ninguém terá de sair a perder… até porque, quem já perdeu foi o malogrado atleta, os seus familiares, os seus companheiros e o desporto como um todo…

Jornal Mira Online