05.10.2025 –
Especialista alerta para a falta de rastreio e de sensibilização face ao aumento da incidência no país

Em Portugal, cerca de 30 pessoas perdem a vida todos os dias devido a cancros digestivos, um grupo de doenças que inclui tumores do estômago, cólon e reto, pâncreas, fígado e esófago. Os dados, divulgados por Vítor Neves, presidente da Europacolon Portugal, revelam um cenário preocupante e em crescimento.
Segundo o Registo Oncológico Nacional e o Globocan 2022, estes tipos de cancro representam uma das maiores cargas oncológicas do país, colocando Portugal entre os países da Europa Ocidental com maior incidência e mortalidade por cancro do estômago, especialmente no Norte.

🚨 “Uma crise de saúde pública a crescer perante os nossos olhos”
Assinalado esta semana, o Dia Mundial do Cancro Digestivo foi mais do que uma data simbólica — foi um alerta para uma crise silenciosa, que ameaça agravar-se nas próximas décadas.
Até 2045, as projeções apontam para um aumento dos novos casos de cancros digestivos em Portugal, se nada mudar”, alerta Vítor Neves.
As causas são múltiplas: a dieta tradicional rica em sal e fumeiro, o consumo de álcool e tabaco, as taxas de obesidade e sedentarismo e, sobretudo, a alta prevalência da bactéria Helicobacter pylori — um agente carcinogénico para o estômago.
Mas há outro fator que o especialista considera determinante: o silêncio dos sintomas. Muitos portugueses convivem durante meses com azia, perda de peso, dor abdominal ou falta de apetite sem procurarem ajuda médica. Quando o diagnóstico chega, o cancro já se encontra em fase avançada, reduzindo drasticamente as hipóteses de sobrevivência.
🧬 Urgência em rastrear e prevenir
A ausência de programas de rastreio de base populacional é apontada como uma das principais falhas do sistema de saúde. Apesar de experiências positivas — como o projeto-piloto nos Açores, que oferece rastreio gratuito à infeção por Helicobacter pylori na ilha Terceira —, a cobertura continua limitada e desigual.
Também no cancro colorretal, Portugal não dispõe ainda de um programa nacional universal de rastreio, ficando dependente de iniciativas regionais com acesso desigual.
Precisamos evoluir de projetos locais para programas organizados, com convites sistemáticos, monitorização e auditoria, assegurando equidade territorial”, defende Vítor Neves.
💡 “Transformar o silêncio em ação”
A prevenção continua a ser a arma mais eficaz: reduzir o consumo de tabaco, álcool e sal; combater a obesidade e o sedentarismo; identificar e erradicar H. pylori; e garantir endoscopias atempadas perante sintomas persistentes.
O impacto vai muito além das estatísticas — traduz-se em vidas perdidas, sofrimento físico e emocional, e diagnósticos tardios por falhas do sistema e da sociedade.
Não podemos aceitar que Portugal lidere nas piores estatísticas. O futuro pode parecer distante, mas 2045 está à porta. O que fizermos hoje determinará quantas vidas conseguiremos salvar amanhã”, conclui o presidente da Europacolon Portugal.
📍 Jornal Mira Online
📎 Fonte: Europacolon Portugal / Vítor Neves // Capa: Revista bem Estar e Saúde Versão Online




