22.08.2026 –
Há clubes que vivem de resultados. Outros vivem de histórias. E há aqueles que conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo, guardando no seu passado a memória de homens que ajudaram a construir uma identidade que permanece muito para além dos relvados.

Foi precisamente isso que aconteceu esta sexta-feira, num almoço que reuniu alguns dos antigos campeões distritais de juniores da AD Ala-Arriba, da histórica época 1979/80. Um encontro marcado pela amizade, pelas recordações e, sobretudo, pelo sentimento de pertença a um clube que continua profundamente ligado às suas gentes.

⚽ Uma equipa que fez história
A época 1979/80 ficou gravada na memória do Ala-Arriba. A equipa de juniores sagrou-se campeã distrital de Coimbra sem conhecer o sabor da derrota, numa campanha que revelou uma verdadeira geração de talentos formados na terra.
Mas o mais interessante viria depois.
Perante a qualidade daqueles jovens jogadores e a necessidade de dar continuidade ao seu percurso no futebol, o clube tomou uma decisão que, à época, revelou uma enorme capacidade de visão: abdicou de inscrever a equipa nos Campeonatos Nacionais de Juniores e promoveu uma espécie de fusão com o plantel sénior.
O resultado foi uma equipa sénior totalmente composta por jogadores da terra, juntando a experiência dos atletas que já integravam o escalão principal à juventude e irreverência daqueles campeões distritais.
Foi uma aposta na formação, mas também uma afirmação da identidade do clube.
🏆 Uma geração que levou o nome do Ala-Arriba mais longe
À frente dos destinos do clube estava, nessa altura, o saudoso João Fresco, presidente que teve um papel importante na construção daquele projeto.
No banco estava Alírio Oliveira, treinador daquela verdadeira máquina de formar e ensinar jovens a jogar futebol, enquanto Eduardo Maduro desempenhava as funções de diretor desportivo.
Foram homens que, cada um à sua maneira, contribuíram decisivamente para que o nome da AD Ala-Arriba ultrapassasse as fronteiras da sua terra e chegasse aos locais mais longínquos de uma vasta região.
Mais do que resultados, ficaram jogadores, amizades e uma forma de estar no futebol.

🍽️ Um almoço com sabor a memória
Foi essa história que voltou à mesa esta sexta-feira.
O almoço serviu de pretexto para juntar alguns dos protagonistas daquela geração e permitir que as memórias regressassem, muitas delas com direito a gargalhadas, outras carregadas de emoção e quase todas acompanhadas daquela saudável provocação que só quem partilhou um balneário consegue compreender.
Entre histórias antigas, episódios de jogos, viagens, golos, vitórias e momentos que o tempo não conseguiu apagar, houve espaço para uma amena cavaqueira protagonizada por todos.
Porque há equipas que acabam quando termina uma época.
E há outras que continuam a jogar, décadas depois, na memória de quem delas fez parte.
👨🍳 Vítor Madail juntou o futebol à cozinha
O repasto ficou por conta de Vítor Madail, que assumiu o papel de anfitrião e, também, de verdadeiro “chef” da jornada.
Mas Vítor não foi apenas o homem responsável pela mesa.
Foi também um dos expoentes daquela histórica equipa, tendo formado, em muitas ocasiões, dupla de centrais com João Roça.
E se hoje João Roça é uma referência incontornável na história recente do Ala-Arriba, a verdade é que a sua ligação ao clube vem de muito longe. Há pouco tempo deixou de ser o timoneiro da equipa, passando a pasta a Christophe Pereira, mas a ligação ao Ala-Arriba permanece.
⚓ Uma âncora que continua bem ancorada
Talvez seja esta a melhor forma de definir o que aconteceu ontem.
O Ala-Arriba não foi apenas um clube que reuniu antigos jogadores para um almoço.
Foi um clube que voltou a juntar uma parte da sua história.
Homens que, há mais de quatro décadas, vestiram a mesma camisola, defenderam as mesmas cores e ajudaram a construir uma identidade que continua a ser reconhecida.
E se o tempo levou muitos jogos, muitos cabelos e algumas pernas já não respondem como antigamente, não levou aquilo que realmente importa: a amizade, o orgulho e o sentimento de pertença.
Porque um clube pode mudar de jogadores, de treinadores, de dirigentes e até de gerações.
Mas quando existe uma história como esta, há qualquer coisa que permanece.
O Ala-Arriba é uma âncora. E está bem ancorada.
Jornal Mira Online





