13.08.2026 –
A Câmara Municipal da Mealhada exigiu à ERSUC a reposição imediata da normalidade na recolha seletiva de resíduos, denunciando o agravamento do serviço nas últimas semanas e os impactos que a situação está a provocar no espaço público.

Num ofício dirigido ao Conselho de Administração da empresa, o presidente da Câmara, António Jorge Franco, manifesta “profunda preocupação” com a situação, sobretudo perante a permanência prolongada de ecopontos cheios, com particular incidência nos vidrões.
Segundo o Município, a acumulação de resíduos está a levar à deposição de materiais no exterior dos contentores, com consequências ao nível da salubridade, da imagem do concelho e da confiança dos cidadãos no sistema de reciclagem.

Câmara recorre a meios próprios
Perante a ausência de resposta considerada adequada, a autarquia afirma ter sido obrigada a utilizar meios próprios para remover os resíduos acumulados junto dos ecopontos, assumindo uma responsabilidade que, sublinha, não lhe compete.
“Não é aceitável que a Câmara tenha de substituir-se sistematicamente à entidade responsável pela recolha seletiva. Os munícipes pagam por um serviço que tem de ser prestado com qualidade, regularidade e eficácia”, afirma António Jorge Franco.
O Município recorda ainda o investimento realizado na promoção da reciclagem, nomeadamente através da recolha porta-a-porta, compostagem doméstica e comunitária e campanhas de sensibilização ambiental.
Para a autarquia, as falhas na recolha acabam por comprometer todo esse trabalho desenvolvido junto da população.

Problema afeta outros municípios
A Câmara da Mealhada salienta que as dificuldades não são exclusivas do concelho. A situação foi recentemente discutida no Conselho Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal da Região Metropolitana de Coimbra, onde vários municípios terão relatado problemas semelhantes.
Na sequência dessa discussão, foi deliberado apresentar uma exposição conjunta à ERSUC, exigindo medidas urgentes para a normalização do serviço.
Entre as exigências apresentadas pela Mealhada estão a regularização imediata das recolhas, a identificação das causas dos incumprimentos e a apresentação de um plano de ação com calendário e medidas concretas.
A autarquia reclama ainda a criação de um sistema de acompanhamento das ocorrências e a nomeação de um interlocutor técnico da ERSUC para assegurar a articulação direta com o Município.

Situação comunicada à ERSAR
A Câmara reconhece que o período de verão representa um aumento da pressão sobre o sistema de recolha, mas considera que esse acréscimo é previsível e deve ser acautelado através de um adequado planeamento operacional.
Paralelamente, o Município comunicou formalmente a situação à Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), solicitando o acompanhamento da entidade responsável pela regulação e fiscalização do setor.
A autarquia diz manter-se disponível para colaborar na resolução do problema, mas reforça que cabe à ERSUC cumprir integralmente as obrigações assumidas enquanto concessionária do serviço público de gestão de resíduos.
Jornal Mira Online
Fonte: Município da Mealhada





