Última oferta da Fosun é de 1,5 mil milhões, metade do valor exigido pelo Banco de Portugal.
A venda do Novo Banco deverá ser adiada para depois das eleições, disseram ao Diário Económico fontes próximas ao processo. O Governo e o Banco de Portugal (BdP) consideram que as ofertas de compra da instituição estão muito abaixo do desejado e não pretendem avançar com a venda ao desbarato. Ao que o Diário Económico apurou, a oferta final da chinesa Fosun prevê um encaixe líquido para o Fundo de Resolução de apenas 1,5 mil milhões de euros, metade da fasquia mínima pretendida pelo BdP.
Segundo as mesmas fontes, o objectivo será anular o actual processo de venda e relançar um novo concurso, com prazos mais curtos, depois das eleições legislativas de 4 de Outubro. Entretanto, serão conhecidos os resultados dos testes de ‘stress’ europeus, que deverão resultar em novas exigências de capital para o Novo Banco. Este factor tem sido apontado como o principal entrave à venda da instituição, devido à incógnita que representa para o comprador. Tanto a Anbang como a Fosun e a Apollo incluíram nas suas propostas vários cenários de capitalização e níveis de cobertura de risco que foram considerados “excessivos” pelo Banco de Portugal. Por outro lado, o adiamento cria um novo problema para o Fundo de Resolução, dado que terá de ser este veículo – público, mas financiado pelas contribuições dos bancos – a capitalizar o Novo Banco. O cenário de adiamento ganhou força nas duas últimas semanas, tal como o Económico tem noticiado, devido ao fosso entre o valor das ofertas (líquidas após as elevadas contingências) e os 4,9 mil milhões injectados no Novo Banco pelo Fundo de Resolução.
A própria Fosun, aparentemente, estará pouco convencida do sucesso do negócio: ao contrário do que chegou a ser admitido, esta semana não veio a Lisboa nenhum alto responsável do grupo liderado por Guo Guangchang. Sendo que esta sexta-feira é apontada por fontes ligadas ao processo como a data limite para o desfecho das negociações. Ao que o Diário Económico apurou, estará iminente o anúncio oficial da suspensão do processo, pelo que o terceiro concorrente, a gestora de fundos Apollo, não deverá ir a jogo.
Questionado pelo Económico sobre o adiamento, o BdP não confirmou nem desmentiu. “Como já é do conhecimento público, o Banco de Portugal iniciou uma fase de negociações (Fase IV – Decisão Final) com os potenciais compradores que apresentaram propostas vinculativas durante a Fase III do procedimento de venda do Novo Banco. Oportunamente, o Banco divulgará o resultado do processo negocial que está a desenvolver para concretizar a venda do Novo Banco SA”, disse fonte oficial.
O cenário de adiamento tem sido referido desde antes do rompimento das negociações com a Anbang. E já no sábado passado, Marques Mendes afirmou, no seu espaço de comentário na SIC , que “está cada vez a tornar-se mais possível que este processo possa encerrar-se agora e reabrir com um novo concurso e prazos mais curtos”. O comentador recordou que só em Novembro se saberá o resultados dos testes de ‘stress’. E disse ter conhecimento de “concorrentes estrangeiros” – que não participaram no actual processo – que sinalizaram a “quem de direito” o interesse em apresentar-se em novo concurso. Até ao fecho, não foi possível obter esclarecimentos do Governo e da Fosun.
Fonte: Económico





