Todos unidos pela proteção do ambiente em Mira e Cantanhede…

A empresa Moinhos do Arraia, as Juntas de Freguesia de Mira, Praia de Mira e Tocha, a INOVA e a Câmara Municipal de Mira fizeram-se representar numa Conferência de Imprensa que se realizou no Museu Etnográfico e Posto de Turismo da Praia de Mira no passado sábado.

O que juntou empresários da área de Turismo, ambientalistas e políticos da região, afinal? O encerramento que consideram ser necessário – e urgente – das infraestruturas “que levaram a um cenário dantesco de poluição para a Vala Real”. Segundo os promotores da conferência, já foram retirados “mais de 5.400 m3 de dejetos sem quaisquer tratamentos”, o que não coaduna com o investimento de mais de meio milhão de euros na limpeza da Barrinha.

O que se pede, segundo o autor do Abaixo Assinado que está em andamento, é “pura e simplesmente o encerramento da infra-estrutura ou a construção de imediato de uma alternativa”. E, num claro pedido de unidade, foi deixada a mensagem – por todos – de que “no imediato deverá ser feito alguma coisa e, para isso, temos de juntar forças neste movimento supra-partidário e só pararmos quando tudo isto estiver resolvido… é inaceitável ter morrido toda a biodiversidade da zona”.

Foi admitido, durante a apresentação dos argumentos que “A intenção inicial da SIMRIA era boa, porém, chega-se a conclusão de que não foram respeitados os caudais mínimos para que a estação pudesse atuar no que se propunha”. Desta forma “foi refeito o projeto para resolver os problemas na localidade das Cochadas mas, mesmo assim, o problema persiste”.

Júlio de Oliveira, que na altura era o Presidente da Junta de Freguesia da Tocha e hoje preside a INOVA, afirmou lamentar o que se tem passado: “Estamos numa zona turística, mas – acima de tudo – pretendemos que nesta região, as populações possam viver com qualidade… queremos que haja um olhar para este problema ambiental e uma atuação condigna como a que acontece no caso do Tejo, atualmente”.

Raul Almeida, Presidente da Câmara de Mira, enfatizou – por sua parte – “sermos contra qualquer tipo de descarga terciária… por este motivo, rejeitamos liminarmente esta ação e disso mesmo daremos conta na reunião que acontecerá no dia 15 de Março, onde estarei para protestar veementemente”.

Os Presidentes das Juntas da Tocha, de Mira e da Praia de Mira foram pelo mesmo diapasão: “Protestamos desde a primeira hora desta situação e temos pena de termos de chegar ao ponto de irmos ao tribunal”, “eu, Francisco Reigota, assumo publicamente que o que aconteceu até agora é ilegal e é crime… se alguma entidade considerar isto legal então, que se manifeste!”, “queremos o problema resolvido e sermos indenizados por todos os prejuízos causados” e “se as medidas mitigadoras não resolveram o problema, se nada mudou, então penso que todos – sem exceção – somos culpados e devemos falar com quem de direito e deixarmos claro que não aceitamos trabalhos feitos em 2020 ou 2022, pois isto é grave demais!” foram mensagens claras e inequívocas deixadas para que, quem de direito, procure tomar as medidas que consideram fundamentais.

Por hora, uma queixa-crime já foi apresentada. Segue-se uma medida cautelar. Tudo está a ser feito no sentido de que a qualidade de vida dos habitantes da região possa ser garantida e para que a biodiversidade possa reencontrar o seu caminho natural.

Este é um movimento em que todos os que por ele dão a cara garantem que não serão dadas tréguas enquanto tudo não esteja definitivamente resolvido. As populações dos dois Concelhos aguardam com alguma ansiedade as próximas ações e os seus desenvolvimentos na certeza, porém, de que nada pode permanecer como está atualmente!

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