Suspeito de matar a mulher apanhado na Trofa

Bernardino Magalhães, suspeito de agredir, amarrar e ameaçar a mulher antes de deitar fogo à casa onde viviam em Penamaior, Paços de Ferreira, foi apanhado esta segunda-feira, cerca das 18 horas, na Trofa.

O marceneiro, de 60 anos, que andava fugido desde a manhã de domingo, estava refugiado no monte de S. Pantaleão, na Trofa, e foi intercetado por uma patrulha da GNR.

Terá sido junto à capela nesse monte, próximo do local onde já havia sido encontrado o seu carro, que Bernardino passou a noite. Após ter sido levado para o posto da GNR, foi detido pelos inspetores da Polícia Judiciária.

Bernardino Magalhães foi visto a sair de casa, em Penamaior, Paços de Ferreira, pelas 8.30 horas de domingo, tranquilo e ao volante do carro. Nada no seu comportamento levou os vizinhos a suspeitar que o marceneiro, de 60 anos, tinha, momentos antes, agredido, amarrado e amordaçado a mulher, para, em seguida, atear fogo à casa, deixando-a para morrer, juntamente com o seu pai, José Magalhães, de 88 anos.

Apesar das chamas, que destruíram parte da habitação, o idoso foi retirado com vida pelos vizinhos. Maria José morreu, ao que tudo indica por asfixia. O facto de estar amordaçada com uma meia de vidro no meio de um intenso fumo terá sido fatal. Mas a tragédia não apanhou de surpresa a população. Junto ao número 50 da Travessa da Senhora da Fonte, todos sabiam das discussões e ameaças perpetradas, ao longo de anos, por Bernardino Magalhães a Maria José Ferreira Carvalho, dois anos mais nova.

A última pessoa a vê-lo foi Maria Coelho. “Estava dentro do carro, muito sossegado, e arrancou devagar”, conta. Menos de meia hora depois, o fumo que saía pela porta do rés do chão chamou a atenção de Mário Carneiro e dos vizinhos. “Vi fumo e arrombei a porta com um machado. Quando entrei, a mulher e o sogro estavam no chão da cozinha. Quase lado a lado”, descreve. Mário acrescenta que Maria José estava inanimada, “com sangue e amordaçada com uma meia”. “Vi logo que ela já não estava viva e tirei primeiro o sogro.

Ele estava consciente e só perguntava para onde é que o íamos levar. Não explicou o que se passara”, refere. José Magalhães foi hospitalizado com ferimentos ligeiros.

A nora foi declarada morta no local. “Foram efetuadas as manobras de reanimação até à chegada do INEM, que declarou o óbito”, afirma o segundo-comandante dos Bombeiros de Paços de Ferreira, António Barbosa. Em Penamaior, quase todos esperavam este desfecho. “Ele queria dinheiro, mas a mulher e o pai não lho davam. Os problemas vinham daí e ele ameaçava que qualquer dia a matava”, garante Mário Carneiro. As discussões levaram Bernardino e Maria José, que tomava conta do sogro e era estimada por este, a viver em divisões separadas da casa. Mas nem isto evitou os conflitos. “Pelas 23.30 horas de sábado, ele voltou a ameaçá-la. Ultimamente, era constante”, assegura Margarida Carneiro, amiga da vítima mortal. “Ainda na semana passada, vi aqui a GNR”, confirma Luís Freitas, outro vizinho.

Jornal de Noticias