Portugal concedeu a primeira nacionalidade a um judeu sefardita após o parlamento ter aprovado uma lei que concede a cidadania aos descendentes dos judeus expulsos do país nos séculos XV e XVI.
Alfonso Paredes, cidadão do Panamá, foi o primeiro judeu sefardita a obter, no início do mês, a nacionalidade Portuguesa, no âmbito da lei da nacionalidade que, por alteração de 2013, passou a conceder a cidadania aos descendentes dos judeus sefarditas expulsos de Portugal nos séculos XV e XVI, com base em requisitos que comprovem a relação a Portugal, designadamente o idioma familiar ou os apelidos.
Paredes é descendente direto de um rabino sefardita, Eliau Abraham Lopez, e de sua esposa, Raquel Nunes da Fonseca, da comunidade espano-portuguesa de Curaçau.
“Na árvore genealógica deste requerente encontram-se inúmeros outros apelidos de origem portuguesa, como por exemplo Nunes, Henriques ,Ferro, Lima, Monsanto, Fonseca, Pinto e Andrade”, contou ao JN Michael Rothwell, da Comunidade Israelita do Porto.
Conforme o JN noticiou em março, Paredes foi o primeiro cidadão a solicitar ao Governo a nacionalidade portuguesa, seguido por familiares que, tal como ele, obtiveram o prévio certificado da comunidade Israelita do Porto.
A obtenção da nacionalidade portuguesa pelos candidatos – há várias centenas em fila de espera – passa, em primeiro lugar, pela obtenção de um certificado da comunidade israelita do Porto ou da comunidade israelita de Lisboa atestando que são descendentes de judeus sefarditas portugueses.
“Só então os candidatos podem dirigir um pedido formal ao Governo de Portugal, juntando ao certificado outros documentos obrigatórios, designadamente o certificado de registo criminal”, explicou Michael Rothwell.
A comunidade israelita do Porto emitiu até agora certificados para judeus de 23 países, abarcando todos os continentes, sendo que dois terços dos certificados foram emitidos para judeus sefarditas da Turquia cujas famílias ainda falam o idioma ladino, uma mistura do castelhano e do português.
A comunidade judaica do Porto prepara-se para receber em breve a visita do primeiro sefardita com a nacionalidade portuguesa. “Alfonso virá em breve ao Porto, trazendo toda a sua família, incluindo duas crianças de 1 e 2 anos de idade, para as quais ele também pediu certificados, por razões sentimentais”, conclui Rothwell.
Maria de Belém “feliz”
Maria de Belém Roseira, a autora da Lei que concedeu o direito de nacionalidade aos judeus sefarditas, soube pelo JN desta primeira atribuição. A deputada socialista afirmou-se “imensamente satisfeita e feliz” com a noticia e salientou que “esta é a ocasião para Portugal, mais uma vez, mostrar os seus valores humanistas e a vontade de resolver situações da sua história, que foram impostas e nunca desejadas pelo povo português”.
Fonte JN





