Operação “Safra justa” expõe rede criminosa e envolve detenções na GNR

25.11.2025 –

◆ A Polícia Judiciária desencadeou hoje uma vasta operação que levou ao desmantelamento de uma organização criminosa responsável por controlar e explorar centenas de trabalhadores estrangeiros em situação irregular em Portugal. A ação, denominada Operação “Safra Justa”, foi conduzida pela Unidade Nacional Contra Terrorismo, no âmbito de um inquérito do DCIAP, e envolveu cerca de 50 mandados de busca e 17 detenções nos distritos de Beja, Portalegre, Figueira da Foz e Porto.

◆ Em causa está um grupo que, através de empresas de trabalho temporário criadas especificamente para esse fim, explorava trabalhadores vulneráveis, cobrando-lhes alojamento e alimentação e mantendo-os sob coação através de ameaças — havendo registo de agressões físicas. A investigação aponta para crimes de tráfico de pessoas, auxílio à imigração ilegal, falsificação, fraude fiscal, branqueamento de capitais, corrupção ativa e passiva e abuso de poder.

◆ Entre os detidos encontram-se dez militares da GNR e um elemento da PSP, suspeitos de facilitarem a operação criminosa. Segundo o comunicado do DCIAP, estes militares, “a troco de compensação económica — fora das respetivas competências profissionais — exerciam controlo e vigilância dos trabalhadores estrangeiros, chegando a ameaçá-los e a desencorajar qualquer denúncia”.

◆ Em nota oficial enviada às redações, a Guarda Nacional Republicana confirmou as detenções e garantiu ter colaborado integralmente com a PJ na execução da operação e na apresentação dos detidos a primeiro interrogatório judicial. A Guarda sublinha que já foram acionados os procedimentos de coordenação com a Inspeção-Geral da Administração Interna, responsável pelos processos disciplinares.

A instituição lembra ainda que não tem conhecimento dos ilícitos concretos, dada a existência de segredo de justiça, mas afirma que, caso as suspeitas se comprovem, “tudo fará para que os autores sejam criminalmente responsabilizados”.

◆ A GNR reafirma também o seu repúdio por atos que atentem contra os direitos humanos ou que manchem a honra dos seus militares: “Na Guarda Nacional Republicana não há lugar para pessoas cujo comportamento possa corromper o compromisso de honra e exemplaridade ética que nos guia.”

◆ Segundo a PJ, ao longo de vários meses foram realizadas inúmeras diligências que permitiram recolher indícios sólidos e traçar o funcionamento de um grupo descrito como violento e de estilo mafioso.

Os detidos serão agora presentes ao Ministério Público para aplicação das respetivas medidas de coação.

Jornal Mira Online
📌 Polícia Judiciária / GNR / DCIAP