Onda de calor causou 69 mortes em excesso em Portugal — maioria em idosos com mais de 85 anos

07.07.2025 –

Somente em cinco dias…

A onda de calor que assolou Portugal Continental entre 28 de junho e 2 de julho provocou, segundo dados da Direção-Geral da Saúde (DGS), 69 mortes em excesso, sobretudo entre a população com 85 anos ou mais.

A informação foi confirmada pela DGS na passada quarta-feira, através do boletim do Sistema de Monitorização da Mortalidade (eVM). O número representa um aumento significativo face ao esperado para o período, e está diretamente associado aos efeitos das temperaturas extremas que se fizeram sentir por todo o país.

A estação meteorológica de Mora, no distrito de Évora, chegou mesmo a registar 46,6 graus Celsius no dia 29 de junho — um valor que constitui a temperatura mais elevada alguma vez registada em Portugal durante o mês de junho. Ao todo, 82% das estações meteorológicas ultrapassaram os 35 °C e mais de um terço (37%) registaram temperaturas acima dos 40 °C.

A DGS alertou que o impacto das vagas de calor pode prolongar-se no tempo e sublinhou que os dados agora divulgados são ainda provisórios, podendo ser revistos nos próximos dias. As autoridades de saúde destacam que os grupos mais vulneráveis — nomeadamente os idosos, doentes crónicos e pessoas em situação de isolamento social — são os mais afetados por este tipo de fenómeno climático.

No mesmo período, estiveram em vigor alertas de calor extremo, com a população a ser aconselhada a evitar a exposição solar direta nas horas de maior intensidade, a manter uma boa hidratação e a procurar locais frescos e ventilados.

Esta foi já a segunda vaga de calor registada em junho, tendo a primeira ocorrido entre os dias 15 e 20. Especialistas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e da DGS temem que estas ocorrências se tornem mais frequentes e intensas nos próximos anos, como consequência das alterações climáticas.

O fenómeno não se limitou a Portugal: vários países da Europa enfrentaram temperaturas semelhantes, com destaque para Espanha, Itália e Grécia. Algumas estimativas internacionais apontam para milhares de mortes relacionadas com o calor em todo o continente europeu durante este período.

Para já, em Portugal, os 69 óbitos em excesso são um sinal preocupante e um alerta para a necessidade de continuar a reforçar as medidas de prevenção, sobretudo junto das populações mais vulneráveis.

Jornal Mira Online

Fontes: Direção-Geral da Saúde, Instituto Português do Mar e da Atmosfera, SIC Notícias, The Portugal News.