Oitenta alunos da Roménia participam em programa de intercâmbio escolar no Montijo

Oitenta alunos de ensino técnico-profissional, vindos de várias cidades da Roménia, estão no Montijo a cumprir um programa de intercâmbio escolar, durante três semanas, para terem mais formação e, muitos deles, a sua primeira experiência profissional.

Nicoleta e Naomi são duas das alunas que pertencem a este grupo de romenos, entre os 16 e 18 anos, que chegou a Portugal há uma semana, no âmbito do projeto de mobilidade “Erasmus +”.

O restaurante Montiprato abriu as suas portas às duas jovens, uma para o serviço de mesa e outra para a cozinha, e segundo o proprietário Manuel Martins, a experiência “até agora tem corrido muito bem”.

A comunicação é o maior obstáculo, já que não falam português nem inglês, mas já mostraram as duas ser “muito competentes”

“À base de gestos e lá nos vamos entendendo. Já tem sido hábito participar neste programa e estou muito contente com esta equipa que recebi agora. Estou de porta aberta para receber os próximos que quiserem vir para cá”, disse Manuel Martins.

Além da restauração, os alunos estão distribuídos por outras áreas, como Turismo, Eletrotécnica, Informática, Veterinária e Contabilidade.

Um grupo de 16 alunos passa o dia na Escola Profissional do Montijo a ter experiências de laboratório na área de eletrotécnica.

Nicoletta Giurgiu, uma das professoras romenas que está a acompanhar os alunos, disse à Lusa que o grupo está “muito contente” com a experiência em Portugal.

“As duas primeiras semanas gostam muito, mas na terceira semana já começam a ter saudades de casa. De qualquer forma, é uma experiência inovadora para eles, gostam muito e estão a aproveitar muito bem”, afirmou.

A Associação para a Formação e Desenvolvimento Profissional do Montijo é a mentora do projeto a nível local e, segundo o seu presidente, João Martins, o grande objetivo é proporcionar aos estudantes “experiências que lhes serão úteis futuramente em termos profissionais”.

Além disso, acrescentou, promover e desenvolver a cidadania europeia é outra das intenções.

“Temos de por em conjunto os vários jovens da Europa porque são eles que vão construir a Europa do futuro. É preciso promover uma união europeia, que não se tem verificado nos últimos tempos”, sustentou.

João Martins reconheceu que “é uma obrigação” fazer com que os jovens estudantes se sintam como em casa e, por isso, a associação disponibilizou um programa que inclui alojamento, alimentação, transporte e visitas culturais à região de Lisboa e da Margem Sul do Tejo.

“É extremamente importante, para eles e para nós, passarmo-nos a conhecer melhor. São jovens iguais aos portugueses. São bem tratados e bem recebidos. Essa é a nossa obrigação. Primeiro que tudo, gostamos que se sintam em casa”, sustentou.

O alojamento aos alunos é garantido pela Casa Europa, um prédio de três pisos, onde estão instalados 40 alunos e os professores que os acompanham.

Maryana, uma das professoras romenas, reconheceu as “excelentes condições e conforto” do alojamento e sublinhou também a “amabilidade” da associação.

Inaugurada em setembro de 2015, a Casa Europa implicou um investimento de 560 mil euros por parte da Associação para a Formação e Desenvolvimento Profissional do Montijo.

Até ao final do ano vão chegar ao Montijo cerca de 500 alunos vindos da Roménia, Macedónia, Croácia e Polónia.

Para o presidente da Câmara do Montijo, Nuno Canta, o projeto de mobilidade é uma mais-valia para a cidade.

“É importante para o Montijo e para a afirmação internacional da cidade. Ganha-se uma maior relação com toda a Europa, recebendo alunos de outras civilizações e que fazem uma síntese cultural.

Tem também uma importância significativa para a nossa cultura e para todo o nosso projeto com os estudantes e afirmação dos seus direitos e relação com os outros”, concluiu.

Fonte e Foto: Lusa