Marta Temido avisa que em “meados de julho” haverá mais de 4 mil casos diários

A ministra da Saúde avisa que nas projeções do Governo haverá mais de quatro mil casos diários “em meados de julho”. Os internamentos vão ultrapassar os 800, dos quais 150 nas UCI.

Marta Temido deixou um alerta, em entrevista à TVI esta segunda-feira, de que há um “maior risco” pandémico neste momento, apelando a que todos tomem as “medidas necessárias individuais e do sistema” para evitar voltar a uma situação igual à que se viveu no início deste ano. Caso não seja bem-sucedido, o país poderá ter mais de 4.000 casos diários em breve: “Neste ritmo de crescimento vamos duplicar o número de casos daqui a 15 dias”.

Até meados de julho, o número de novos casos irá para lá dos quatro mil” diários e o número de internamento subirá “para lá de 800” e nas unidades de cuidados intensivos (UCI) “para lá de 150”, revelou. Este “não é um bom cenário” que se concretizará “se nada se inverter”, classificou e, por isso, Marta Temido comprometeu-se a atuar “para que esse número de casos não se concretize”.

Porém, a ministra da Saúde admitiu que a vacinação contra a Covid-19 permite que estes números, a serem alcançados, não tenham “sobre o sistema de saúde o impacto que teve quatro mil casos em outubro ou novembro passado”. Ainda assim, “há consequências da Covid no médio e longo prazo e não podemos ficar indiferentes ao risco”, disse Temido.

A ministra da Saúde afirmou que neste momento o Governo “não pode afastar nenhum tipo de medidas” que resultem numa maior restrição das liberdades dos cidadãos, mas recordou que não dispõe do enquadramento jurídico do estado de emergência, o qual o Presidente da República não quer reativar. “Dentro do quadro legal, fomos o mais longe possível” no Conselho de Ministros da semana passada, disse, referindo-se à recomendação de recolhimento a partir das 23h nos concelhos com mais casos.

Sobre o cancelamento das férias dos profissionais de saúde, a ministra disse que quer “muito que isso não aconteça”, mas não afastou a 100% uma vez que depende da evolução da situação epidemiológica. A própria disse que também não sabia se ia ter férias. Já quanto à continuação no cargo afastou uma possível demissão, argumentando que não pode deixar o barco no meio da tempestade.

Tiago Varzim / ECO