21.05.2026 –
Grândola destaca-se com seis Praias ZERO Poluição seguida de Porto Santo, com cinco

A ZERO identificou as 73 Praias ZERO Poluição em Portugal – lista completa na página 3. A ZERO considera que este objetivo é verdadeiramente aquilo que à escala europeia se deseja no quadro do Pacto Ecológico Europeu, em particular no âmbito do Plano de Ação para a Poluição Zero.
Esta classificação é baseada nos parâmetros da legislação em vigor. Uma Praia ZERO Poluição é aquela em que não foi detetada qualquer contaminação microbiológica nas análises efetuadas às águas balneares ao longo das três últimas épocas balneares, tendo também a sua classificação sido sempre “excelente” nesse período. Em 2026, as 73 Praias ZERO Poluição representam 11 por cento do total das 671 águas balneares existentes, correspondendo a uma redução de oito praias face às 81 classificadas em 2025. Apesar de critérios muito diferentes, esta ligeira diminuição acompanha a redução também verificada no número de praias com bandeira azul. Uma única análise com deteção microbiológica em três anos, mesmo quando muito longe dos valores-limite legais e sem pôr em causa a classificação de qualidade “excelente”, é suficiente para uma praia deixar de integrar esta lista. Este resultado reforça a importância de garantir uma prevenção muito efetiva das fontes de contaminação e de assegurar uma gestão rigorosa dos sistemas de saneamento, das escorrências urbanas e das atividades económicas com potencial impacto nas zonas balneares.
Um aspeto relevante é haver duas praias interiores classificadas como Praias ZERO Poluição – Albufeira do Vilar em Moimenta da Beira e Albufeira de Alfaiates no Sabugal, praias estas que há anos já tinham atingido este patamar de qualidade. Os concelhos com maior número de Praias ZERO Poluição em 2026 são Grândola, com seis praias, e Porto Santo, com cinco praias. Seguem-se Alcobaça, Aljezur e Torres Vedras, cada um com quatro praias. Com três praias surgem Olhão, Tavira, Viana do Castelo, Angra do Heroísmo, São Roque do Pico e Vila do Porto. No total, há 45 Praias ZERO no Continente em 20 concelhos, 21 nos Açores em onze concelhos e sete na Madeira em três concelhos.

Cinco municípios passam a estar representados na lista de Praias ZERO Poluição: Lagos, Moimenta da Beira, Sabugal, Setúbal e São Vicente. Em sentido inverso, deixam de estar representados Caldas da Rainha, Caminha, Ílhavo, Nazaré, Porto Moniz, Povoação, Santa Cruz, Sines, Sintra e Tomar. Em termos de balanço, saíram da lista do ano passado 31 praias e entraram 23 novas.

De salientar que é extremamente difícil conseguir um registo incólume ao longo de três anos nas zonas balneares interiores, muito mais suscetíveis à poluição microbiológica. À exceção de duas praias “interiores”, todas as restantes praias são “costeiras”. Este facto é um indicador do muito que ainda há a fazer para garantir uma boa qualidade da água dos rios e ribeiras em Portugal, o que requer esforços adicionais ao nível do saneamento urbano e das empresas.
O que é uma praia ZERO poluição?
A partir de dados solicitados à Agência Portuguesa do Ambiente, a Associação ZERO identificou as praias que, ao longo das três últimas épocas balneares (2023, 2024 e 2025), não só tiveram sempre classificação “EXCELENTE” como apresentaram valores zero ou inferiores ao limite de deteção em todas as análises efetuadas aos dois parâmetros microbiológicos controlados e previstos na legislação (Escherichia coli e Enterococos intestinais). Isto é, em TODAS as análises efetuadas não houve sequer a deteção de qualquer unidade formadora de colónias. Consideram-se três anos por corresponder ao período mínimo habitualmente requerido pela Diretiva 2006/7/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 15 de fevereiro de 2006, relativa à gestão da qualidade das águas balneares, para se proceder à classificação da qualidade da zona balnear.

Alguns alertas de época balnear
A ZERO tem vindo a apelar à Agência Portuguesa do Ambiente para continuar a melhorar a informação especializada e ao público sobre a natureza de desaconselhamento e interdição de praias, destacando-se nesta linha o portal desta instituição, o “Info Água”.
Neste sentido, a ZERO selecionou alguns aspetos que considera cruciais neste início de época balnear em muitas praias:
- Por razões ambientais e de segurança, só devem ser frequentadas praias classificadas como zonas balneares, onde se conhece a qualidade da água e onde haja vigilância;
- Não devem ser deixados quaisquer resíduos na praia e, sempre que possível, devemos encaminhá-los através da recolha seletiva;
- Deve-se preservar a paisagem e os ecossistemas envolventes das zonas balneares, evitando o pisoteio de dunas e outras áreas sensíveis.
Associação ZERO






