Dinamarca quer isolar migrantes “indesejados” numa ilha

Governo dinamarquês pretende alojar migrantes “indesejados” numa ilha pequena e de difícil acesso que agora acolhe laboratórios, estábulos e crematórios de um centro de pesquisa de doenças animais contagiosas

A Dinamarca planeia isolar os migrantes “indesejados” numa ilha pequena e de difícil acesso, que atualmente aloja laboratórios, estábulos e crematórios de um centro de pesquisa de doenças animais contagiosas.

Um dos dois ferries que servem a ilha é chamado de “vírus”. “Se você é indesejado na sociedade dinamarquesa, não deve ser incómodo para os dinamarqueses. Os migrantes que são condenados por infrações penais, lei de armas, tráfico de drogas, entre outras, serão movidos para a ilha desabitada, Lindholm. Eles são indesejados na Dinamarca e vão sentir isso”, escreveu no Facebook a ministra das imigrações, Inger Stojberg.

Na sexta-feira, o governo de centro-direita e o partido de extrema-direita People’s Party [Partido do Povo] anunciaram um acordo para abrigar até 100 pessoas na ilha de Lindholm, todos estrangeiros que foram condenados por crimes. As instalações para os imigrantes terão um custo de 115 milhões de dólares (101,32 milhões de euros) e deverão ser inauguradas em 2021.

A ilha, com cerca de 69 mil metros quadrados, situada numa entrada do Mar Báltico a cerca de três quilómetros da costa mais próxima, não tem um serviço de ferries frequente, o que isolará os estrangeiros, que terão de se apresentar diariamente no centro da ilha – se não o fizerem, serão presos. “Vamos diminuir o número de partidas de ferries tanto quanto possível”, frisou o porta-voz do People’s Party sobre imigração, Martin Henrinksen, à TV 2.

Em oposição, a vice-diretora executiva do Instituto Dinamarquês para os Direitos Humanos, Louise Holck, garantiu que a sua organização vai observar a situação “de muito perto” por possíveis violações das obrigações internacionais da Dinamarca, país no qual foi obtida, tal como em outros na Europa, uma reação populista e nacionalista ao aumento de migrações oriundas de África e do Médio Oriente em 2015 e 2016.

DN