Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede prossegue com espetáculos na Tocha e em Murtede

Sábado e domingo, 20 e 21 de Fevereiro

O Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede prossegue no próximo fim-de-semana, com a estreia de mais dois dos 12 grupos cénicos envolvidos na edição deste ano. No sábado, dia 20 de Fevereiro, às 21h30, o GATT – Grupo Amador de Teatro da Tocha atua na Sede da Associação Recreativa e Cultural 1.º de Maio, na Tocha, para apresentar “Desejo Voraz”, um espetáculo baseado num texto que explora várias facetas da natureza humana em situações de desejo, loucura, engano, traição e desespero, transpondo para o palco “um pouco da vida real e da ingenuidade de muitos homens e mulheres em pleno século XXI”.

A peça relata a vida de dois bons vivants, um homem e uma mulher sem grandes escrúpulos e muito dados à sedução manipulação dos sentimentos de todos com quem se cruzam. Dom Juan, um artista da intriga, não olha a meios para atingir os seus fins, faz-se de apaixonado por todas as raparigas, prometendo-lhes casamento.

Por sua vez, Dona Juana, com o seu ar dissimulado, revela-se uma especialista na arte da sedução de homens e mulheres, tirando partido da sua grande beleza e eloquência em jogos ardilosos.

No domingo, às 15h30, é a vez de entrar em cena o Grupo de Teatro Experimental “A Fonte”, que se apresenta “em casa”, no Salão da Junta de Freguesia de Murtede. “A Nossa Encenação” pretende mostrar ao público em geral tudo o que envolve a produção, montagem e encenação de uma peça teatral. Trata-se de uma abordagem que desconstrói um espetáculo de teatro onde a ação, contrariamente ao habitual, decorre nos bastidores, remetendo para temas bem atuais, como o preconceito, a discriminação e até episódios de violência doméstica.

Tendo por base um original já apresentado pelo Grupo de Teatro Experimental “A Fonte” há dezoito anos, o texto foi adaptado para os dias de hoje, procurando dar retratar um pouco da realidade com que os grupos cénicos de carácter amador se confrontam na sua atividade.

Sobre o Grupo Amador de Teatro da Tocha

As origens do Grupo Amador de Teatro da Tocha ninguém as sabe ao certo e também não existe nenhum documento escrito onde estejam registadas. São os elementos antigos com mais anos de casa que contam, entre as memórias que ainda surgem, os momentos mais marcantes de que há lembrança.

Os ensaios decorriam na antiga sede, localizada na Rua Dr. José Gomes da Cruz. A primeira peça foi levada à cena na década de 60, no antigo Grémio de Instrução e Recreio da Tocha, onde se realizavam os bailes (no atual café Esplanada), mas a continuidade perdeu-se.

É na década de 70, pelas mãos de Júlio Garcia Simão, encenador e antigo funcionário do Rovisco Pais, que o Grupo de Teatro ganha novo alento. Mais tarde é substituído por Américo Guímaro, que levou à cena a peça “A Forja”, também encenada no Festival de Teatro de Montemor-o-Velho. É com ele que se estreia a peça “Frei Thomaz”.

Segue-se novamente um período de interregno, onde apenas se fazem alguns “sketches”, para em 1984 Júlio Campante, de Coimbra, mas casado com a professora da escola primária da Tocha, dar uma nova dinâmica ao Grupo Amador de Teatro, que com ele começou a atuar em palcos um pouco por todo o país.

O bichinho do teatro ficou de vez, e já na sede da Associação Recreativa e Cultural 1.º de Maio da Tocha, “o salão encheu-se um punhado de vezes”. A população aderia aos espetáculos e é com o Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede e a participação no certame que o grupo se revitaliza e se consolida, ficando apenas marcada por um interregno de um ano, em 2003, devido a um vazio de direção instalado, e em 2012, por doença do ator principal, Américo Romão.

O Grupo de Teatro Amador da Tocha já levou a palco diversas peças de diferentes estilos, tais como “A Casa dos Pais”, “Entre Giestas”, “A Mala de Bernardete”, “Serão Homens Amanhã”, “Há Horas Diabólicas”, “As Duas Cartas”, “Uma Sardinha para Três”, “Terra Firme”, “Frei Thomaz”, levada a palco na década de 1970 e que em 2009 voltou a estar em cena, seguida de “Falar Verdade a Mentir”, em 2010, “A Forja” e no ano anterior apresentou “O Doente Imaginário”, uma adaptação do original da autoria de Molière, e “Verdades e mentiras da vida real”, um original da autoria de José Maria Giraldo.

Sobre o Grupo de Teatro Experimental “A Fonte” de Murtede

O Grupo de Teatro Experimental “A Fonte” de Murtede foi fundado em 2000 por 24 jovens da freguesia. Esta associação juvenil tem atualmente cerca de 80 associados e é filiada no INATEL e no Instituto Português da Juventude.

Da sua atividade no campo das artes cénicas destaca-se a apresentação regular de peças de teatro em produções que têm registado o reconhecimento do público e das entidades que têm apoiado o trabalho do grupo, nomeadamente a Câmara Municipal de Cantanhede, a Junta de Freguesia de Murtede, o INATEL, o Instituto Português da Juventude (IPJ) e a Delegação Regional do Centro do Ministério da Cultura.

Além da sua participação regular em diversos espetáculos de Teatro, desenvolve também outro tipo de ações culturais, com destaque para Danças na Minha Aldeia, encontro com animação em diversas vertentes musicais que se realiza na segunda quinzena de Maio, Concertos de Música Sacra, convívios e iniciativas não só com os seus associados mas também com outros habitantes da comunidade, como é o caso do programa de OTL – Ocupação de Tempos, da responsabilidade do IPJ.

O Grupo de Teatro Experimental “A Fonte” de Murtede participa também regularmente na EXPOFACIC e desenvolve algumas parcerias na organização de eventos promovidos pela Junta de Freguesia de Murtede e a Câmara Municipal de Cantanhede.