Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede prossegue com espetáculo em Febres

Sábado, 5 de Março

O Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede continua no próximo sábado, dia 5 de março, desta vez apenas com uma única atuação, designadamente do GATT – Grupo Amador de Teatro da Tocha, que cumpre a sua jornada de itinerância no salão paroquial de Febres. O espetáculo em cena será “Desejo Voraz”, versão construída a partir de textos de dois grandes vultos do Teatro, Molière e Tirso de Molina, cujo enredo explora várias facetas da natureza humana em situações de desejo, loucura, engano, traição e desespero, transpondo para o palco “um pouco da vida real e da ingenuidade de muitos homens e mulheres em pleno século XXI”.

A peça relata a vida de dois bons vivants, um homem e uma mulher sem grandes escrúpulos e muito dados à sedução manipulação dos sentimentos de todos com quem se cruzam. Dom Juan, um artista da intriga, não olha a meios para atingir os seus fins, faz-se de apaixonado por todas as raparigas, prometendo-lhes casamento.

Por sua vez, Dona Juana, com o seu ar dissimulado, revela-se uma especialista na arte da sedução de homens e mulheres, tirando partido da sua grande beleza e eloquência em jogos ardilosos.

O Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede é, recorde-se, uma ação que a Câmara Municipal tem vindo a promover desde há 18 anos consecutivos, tendo em vista a revitalização da atividade teatral no concelho através do incentivo à participação dos grupos cénicos com tradição nesta área. Na edição deste ano estão envolvidas mais de 300 pessoas, a maioria como atores, mas também muitas outras nas diversas tarefas inerentes á produção, montagem e encenação dos espetáculos.

Para a autarquia cantanhedense, o intercâmbio entre os grupos cénicos participantes, e os resultados obtidos, quer ao nível do desenvolvimento artístico e técnico das suas produções teatrais, quer no que diz respeito à formação de novos públicos, justifica a atribuição de um subsídio para as despesas inerentes à preparação, montagem e representação das peças e ainda o significativo apoio no que diz respeito à logística e divulgação.

Sobre o Grupo Amador de Teatro da Tocha

As origens do Grupo Amador de Teatro da Tocha ninguém as sabe ao certo e também não existe nenhum documento escrito onde estejam registadas. São os elementos antigos com mais anos de casa que contam, entre as memórias que ainda surgem, os momentos mais marcantes de que há lembrança.

Os ensaios decorriam na antiga sede, localizada na Rua Dr. José Gomes da Cruz. A primeira peça foi levada à cena na década de 60, no antigo Grémio de Instrução e Recreio da Tocha, onde se realizavam os bailes (no atual café Esplanada), mas a continuidade perdeu-se.

É na década de 70, pelas mãos de Júlio Garcia Simão, encenador e antigo funcionário do Rovisco Pais, que o Grupo de Teatro ganha novo alento. Mais tarde é substituído por Américo Guímaro, que levou à cena a peça “A Forja”, também encenada no Festival de Teatro de Montemor-o-Velho. É com ele que se estreia a peça “Frei Thomaz”.

Segue-se novamente um período de interregno, onde apenas se fazem alguns “sketches”, para em 1984 Júlio Campante, de Coimbra, mas casado com a professora da escola primária da Tocha, dar uma nova dinâmica ao Grupo Amador de Teatro, que com ele começou a atuar em palcos um pouco por todo o país.

O bichinho do teatro ficou de vez, e já na sede da Associação Recreativa e Cultural 1.º de Maio da Tocha, “o salão encheu-se um punhado de vezes”. A população aderia aos espetáculos e é com o Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede e a participação no certame que o grupo se revitaliza e se consolida, ficando apenas marcada por um interregno de um ano, em 2003, devido a um vazio de direção instalado, e em 2012, por doença do ator principal, Américo Romão.

O Grupo de Teatro Amador da Tocha já levou a palco diversas peças de diferentes estilos, tais como “A Casa dos Pais”, “Entre Giestas”, “A Mala de Bernardete”, “Serão Homens Amanhã”, “Há Horas Diabólicas”, “As Duas Cartas”, “Uma Sardinha para Três”, “Terra Firme”, “Frei Thomaz”, levada a palco na década de 1970 e que em 2009 voltou a estar em cena, seguida de “Falar Verdade a Mentir”, em 2010, “A Forja” e no ano anterior apresentou “O Doente Imaginário”, uma adaptação do original da autoria de Molière, e “Verdades e mentiras da vida real”, um original da autoria de José Maria Giraldo.