21.10.2025
Obra cofinanciada pelo POSEUR vai tratar efluentes domésticos e industriais de Cantanhede e Mira, resolvendo problema crítico de descargas

O município de Cantanhede inaugurou ontem, 20 de Outubro, uma nova estação de tratamento de águas residuais (ETAR) que representa um investimento total de 12,8 milhões de euros, cofinanciado pelo POSEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos. A empreitada inclui também o reforço das infraestruturas de saneamento que servem os concelhos de Cantanhede e Mira.
A cerimónia de inauguração da ETAR de Cantanhede, realizada pela Águas do Centro Litoral (AdCL), contou com a presença do Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, dos presidentes das câmaras municipais de Cantanhede e Mira, Helena Teodósio e Artur Fresco, dos membros do Conselho de Administração das Águas do Centro Litoral, presidida por Alexandre Oliveira Tavares, do Presidente do Conselho de Administração das Águas de Portugal, António Carmona Rodrigues, da Presidente da ERSAr, Vera Eiró, para além de representantes da APA, do empreiteiro (consórcio “Epina & Delfin /Factor Ambiente”) e da fiscalização (RIOBOCO), entre outros convidados.

Investimento resolve problema crítico
A nova ETAR, que absorveu um investimento de 9,4 milhões de euros, complementa outra empreitada de 3,4 milhões de euros para aumento da capacidade das infraestruturas de Mira e Cantanhede. As duas obras visam reforçar o Sistema de Saneamento da Ria Sul-Aveiro e solucionar problemas críticos de saneamento em ambos os municípios.
A infraestrutura está dimensionada para tratar 14.688 metros cúbicos por dia de águas residuais, provenientes de 21.900 habitantes-equivalentes de população doméstica e 15.100 habitantes-equivalentes de efluente industrial. A ETAR serve as áreas do município de Cantanhede atualmente abrangidas pelo subsistema Ria Sul-Aveiro, nomeadamente as localidades de Ourentã, Cantanhede, Pocariça, Febres, Cadima, Sanguinheira, São Caetano e Tocha, para além de contribuir com a parte sul do Concelho de Mira-.
Tecnologia avançada de tratamento
O processo de tratamento baseia-se num sistema de lamas ativadas operando em regime de arejamento prolongado, com reatores de funcionamento contínuo. O efluente passa por várias etapas que incluem gradagem grossa, elevação inicial, tamisação, desarenamento e desengordurarnento, seguidas de tanque de homogeneização.
Após o tratamento biológico, o efluente é clarificado numa etapa de decantação secundária, seguida de filtração em areia e desinfeção ultravioleta (tratamento terciário), reduzindo significativamente a contaminação microbiológica. O efluente tratado é devolvido ao meio recetor, a vala da Veia Real.
História de um problema resolvido
A obra surge após dois concursos públicos internacionais lançados em 2020, que não receberam propostas. O projeto tornou-se urgente devido ao problema crónico de saneamento nos municípios de Cantanhede e Mira, onde o extenso emissário que recebe os efluentes dos dois concelhos estava a registar excesso de caudais, especialmente crítico no inverno devido ao volume de efluentes pluviais das redes municipais que, combinados com os efluentes industriais, excediam os volumes acordados aquando do dimensionamento do emissário, resultando em descargas.
Desde 2017, foram implementadas medidas mitigadoras pela AdCL, incluindo o aumento da capacidade de bombagem das elevatórias do intercetor sul e a construção de descargas de emergência, permitindo manter a operacionalidade hidráulica do sistema enquanto se aguardava pela solução definitiva.
A Águas do Centro Litoral e as autarquias de Cantanhede e Mira desenvolveram, ao longo dos anos, esforços conjuntos para minimizar impactos ambientais negativos e reduzir ao máximo as descargas de excedentes, controlando as descargas no meio hídrico nos períodos de sobrecarga do sistema.
Jornal Mira Online
Fonte: Águas do Centro Litoral





