Bruno de Carvalho: “O que aconteceu na Academia foi um crime contra mim”

O presidente do Sporting falou esta quinta-feira ao canal oficial do clube

Em declarações à ‘Sporting TV’, Bruno de Carvalho abordou o momento do Sporting e a próxima Assembleia Geral do dia 23 de junho que vai ditar a continuidade ou não da direção do clube.

Assembleia Geral do próximo dia 23 de junho

“Esta vai ser uma das AG mais importantes da vida do Sporting.”

“Ponderámos sair em fevereiro. (…) Fomos eleitos nas eleições mais concorridas de sempre do clube. Sou o presidente eleito com mais votos e votantes de sempre. Na última AG foi 90 por cento. Há, de facto, sportinguistas contra sportinguistas.”

“Os sportinguistas é que sabem se querem eleições de seis em seis meses. Se o período das eleições é de quatro em quatro anos, é para dar estabilidade às direções.”

Momento do Sporting

“Atravessamos um período difícil que não está a conseguir ser ultrapassado porque, para muitos sportinguistas, existem dois presidentes, dois presidentes da mesa e dois presidentes da comissão de fiscalização. E isto não é benéfico para os associados.”

“Podemos chegar a um ano em que somos campeões em todas as modalidades menos no futebol sénior masculino. Vamos fazer 112 anos e 2018 é o ano em que mais títulos europeus se ganhou: quatro.”

Conflito com Jaime Marta Soares

“O Conselho Diretivo é o único órgão executivo do clube, a Mesa [da Assembleia Geral] não. Uma coisa é ficar sem Mesa e o clube não pára, outra é ficar sem aqueles que tomam decisões, que são executivos. Sair prejudicava o Sporting e trairia a vontade dos sportinguistas.”

“A visão de Jaime Marta Soares é que nós temos de sair porque tivemos culpa no que aconteceu na Academia.”

Conflito com os jogadores que rescindiram

“Se formos embora estamos a dar razão a todos os processos de justa causa dos jogadores. Não me parece que isto seja a defesa dos superiores interesses do Sporting. Se a comissão de fiscalização nomeada por Jaime Marta Soares tem razão no processo que nos fez, então estamos a dar razão aos jogadores.”

Conflito com o plantel após o jogo com o Atlético Madrid

“O post de Madrid foi no dia 5 de abril. Houve pessoas que acharam que estava bem, outras que acharam mal. Eu dei o exemplo de José Maria Ricciardi, que estava no Conselho Fiscal mas era o presidente e que disse que a equipa era «rídicula e não merecia o que ganhava». O post foi no dia 5 de abril, os jogadores não gostaram e queriam ter uma reunião comigo sobre a temática logo no dia em que chegavam. Ficou combinado, com os capitães, que falávamos a seguir ao jogo com o Paços de Ferreira. Isto ficou combinado, mas passado duas horas houve um post dos jogadores no Instagram. É lógico que nós, enquanto entidade patronal, não gostámos. E não gostámos não só enquanto entidade patronal, há também aqui um sentimento de traição.”

“Se tudo isto resultou em alguma animosidade, foi para comigo. Ficou claro no jogo com o Paços de Ferreira. Não podemos usar o post de Madrid passado um mês e tal quando nos convém porque se houve consequências foi para mim. Fui assobiado e maltratado. (…) Os jogadores podiam ter tido mais respeito pela entidade patronal. Aquelas voltas olímpicas foram um agradecimentos aos sócios e uma afronta. O [Frederico] Varandas sabia que estava com dores inenarráveis e abandonou-me para ir fazer a volta olímpica. Agora já se percebe porquê. Quem me ajudou foi um segurança e um dos roupeiros.”

Entrevista ao jornal ‘Expresso’

“A entrevista ao ‘Expresso’ foi dada no dia 2 de abril. Queriam-na publicar antes do jogo com o Benfica, porque estava dada. A 2 de abril não havia post de Madrid, nada. O que o departamento de comunicação conseguiu foi adiar para que fosse publicada antes do jogo com o Marítimo. Foi o melhor que conseguiram e todos nós tínhamos uma forte expetativa de conseguir resolver o segundo lugar em casa com o Benfica.”

Invasão e agressões na Academia

“Todos os jogadores utilizam nas suas cartas as mensagens que eu enviei ao Rui Patrício. Toda a gente sabe que eu não gosto de perder ou empatar. Tínhamos uma final da Taça para ganhar e o meu maior desejo era que o nosso maior goleador levasse seis pontos na cabeça?”

“O que aconteceu na Academia não foi um ataque ao Sporting? Eu não sou presidente do Sporting? Então não terá sido também um ataque contra mim? Não vi ninguém dizer isso. (…) O crime foi contra mim enquanto presidente do Sporting e da Sporting SAD. As pessoas que foram afetadas foram os jogadores, mas o crime foi contra o Sporting.”

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