09.07.2026 –
Após as recentes eleições para a Comissão Política Distrital do CHEGA em Coimbra, a candidatura do movimento “Coimbra pelo CHEGA” alcançou 40% dos votos expressos pelos militantes. Numa entrevista direta e esclarecedora, Augusto Louro Miranda faz o balanço de um processo eleitoral relâmpago, destaca a forte representatividade e diversidade da sua lista, defende a separação de cargos diretivos e analisa os sinais claros transmitidos pela base do partido a nível nacional.

MO: Como surgiu esta candidatura à Comissão Política Distrital do CHEGA em Coimbra? Foi um projeto planeado com antecedência?
ALM: Não, na minha pessoa esta candidatura não estava de todo planeada. Tudo se desenrolou após o último Conselho Nacional e com a subsequente marcação de eleições em todas as distritais. Nessa altura, as várias sensibilidades do CHEGA no distrito de Coimbra entraram em contacto direto. Houve um intenso trabalho de reflexão, troca de ideias, ajustes de posição e consensos sobre as matérias cruciais para o nosso partido. O movimento “Coimbra pelo CHEGA” – que já existia e mantinha uma dinâmica ativa na região – endereçou-me um convite inicial para integrar a lista como adjunto, acompanhando o cabeça de lista que tinha sido apresentado.

MO: E como passou de candidato a adjunto a cabeça de lista do movimento?
ALM: Por razões estritamente pessoais, o cabeça de lista inicialmente previsto teve de se retirar do processo. Vimo-nos, de um momento para o outro, perante uma encruzilhada: ou deixávamos de apresentar oposição, ou assumíamos a responsabilidade de dar voz às dezenas de militantes que exigiam uma alternativa. Por consenso absoluto e apoio inequívoco de todos os elementos, o meu nome foi indicado para liderar a candidatura. O grande desafio foi ter de refazer todo o processo burocrático e formal em escassos dias.
MO: Como foi constituída a vossa lista e que perfil quiseram apresentar aos militantes?
ALM: Tivemos a preocupação de apresentar uma lista genuinamente representativa da realidade geográfica e humana do nosso distrito. A lista do “Coimbra pelo CHEGA” integrava elementos representativos de vários municípios do distrito de Coimbra, garantindo uma verdadeira descentralização e proximidade. Além disso, um terço da nossa lista era composto por mulheres, reafirmando o papel fundamental das mulheres na construção do futuro do CHEGA.
MO: Sendo um processo tão rápido, como respondeu a base do partido na fase de formalização e durante a campanha?
ALM: A resposta das bases foi avassaladora e superou todas as expectativas. Em apenas 24 horas conseguimos recolher o dobro das assinaturas de proponentes legalmente necessárias para formalizar a lista. Tivemos uma campanha extremamente curta, de apenas 4 a 5 dias, mas o empenho de todos foi extraordinário. O resultado final – 40% dos votos dos militantes – é a prova de que a nossa mensagem ressoou com força.
MO: Uma das bandeiras da vossa candidatura é a acumulação de cargos. Qual é a posição do movimento sobre esse tema?
ALM: Um dos pontos centrais que defendemos convictamente é que os presidentes e vice-presidentes das comissões políticas distritais não devem ser deputados à Assembleia da República. A liderança distrital exige dedicação exclusiva, presença constante no terreno, escuta ativa das concelhias e disponibilidade total para os militantes. Quando se acumula com o mandato parlamentar em Lisboa, por mais boa vontade que exista, a ligação local acaba inevitavelmente por sofrer.
MO: Considera que a nível nacional os militantes estão a acompanhar essa mesma visão?
ALM: Sem dúvida alguma. Os militantes do partido estão a dar-nos inteira razão em todo o país. Estas eleições distritais enviaram um sinal inequívoco: quatro deputados da Assembleia da República que eram presidentes de distritais perderam as suas eleições. Trata-se de uma mensagem clara da base do CHEGA: as distritais precisam de líderes focados a 100% no território e na dinamização do partido, sem sobreposição de cargos nacionais e parlamentares.

MO: Que leitura faz dos 40% de votos alcançados no distrito de Coimbra?
ALM: Verificámos que uma percentagem muito expressiva dos militantes do distrito concorda inteiramente com os nossos pontos de vista e com a nossa visão para o futuro. Há uma realidade incontornável que temos de enfrentar: o CHEGA está a crescer no distrito de Coimbra, mas cresce a um ritmo significativamente inferior quando comparado com o resto do país. É precisamente aí que nos devemos focar. Precisamos de analisar com rigor e honestidade intelectual quais são as razões desse desfasamento e o que tem de ser feito para acelerar a nossa implantação na região.
MO: A lista vencedora apresentou um plano de ação para o mandato. Qual é a postura do movimento “Coimbra pelo CHEGA” face a essas promessas?
ALM: A Lista A comprometeu-se com um caderno de encargos ambicioso e muito específico. Registámos com atenção medidas no âmbito da transparência e reuniões descentralizadas, o reforço e criação de núcleos de freguesia, os programas “Ouvir Coimbra” para aproximar o partido dos setores económicos e sociais, a valorização da Juventude CHEGA, a reativação do “Café CHEGA” e a preparação dos próximos combates eleitorais. São compromissos assumidos perante os militantes e nós estaremos cá para acompanhar, exigir e fiscalizar o seu cumprimento integral.
MO: Qual será o papel do “Coimbra pelo CHEGA” a partir deste momento no distrito?
ALM: O movimento “Coimbra pelo CHEGA” não nasceu para um ato eleitoral nem se esgota nele. Continuaremos totalmente ativos, atentos e presentes. Seremos uma oposição interna exigente, leal e construtiva, sempre disponíveis para colaborar com a nova Comissão Política Distrital em tudo o que beneficie o partido e o distrito, mas mantendo a firmeza de dar voz aos 40% dos militantes que confiaram em nós e que querem um CHEGA mais forte, audaz e representativo em Coimbra.
Jornal Mira Online






