Artigo da SRCentro da Ordem dos Enfermeiros: “Hipertensão Arterial”

05.4.2024 –

“As doenças cardiovasculares caraterizam-se por estarem associadas a um estilo de vida pouco saudável, constituindo a mais importante causa de mortalidade em Portugal, pelo que é uma área de intervenção que deve ser considerada prioritária. Existe, por isso, um enorme potencial de intervenção por parte dos enfermeiros neste âmbito, enquanto agentes promotores de estilos de vida mais salutares.

Uma vez instalada a doença cardiovascular, continua a ser imperioso o controlo dos fatores de risco cardiovasculares, nomeadamente a obesidade, o tabagismo, o sedentarismo, a diabetes e a hipertensão arterial (HTA). Também se torna fundamental promover a adesão à terapêutica, pois, na prática, verifica-se frequentemente que os utentes não seguem a terapêutica, mantendo comportamentos de risco cardiovascular.

Por outro lado, quando se pretende a adesão a regimes medicamentosos longos, ou uma mudança de comportamentos, como seguir uma dieta ou deixar de fumar, os valores de adesão tendem a diminuir ou desaparecer. Deste modo, a adesão tende a ser mais baixa na área da promoção da saúde, uma vez que os indivíduos ainda não estão doentes, sendo-lhes fornecidas apenas sugestões no sentido de melhorar o seu estilo de vida.

No caso das pessoas com doença cardiovascular, pretende-se precisamente que exista adesão ao regime medicamentoso e alteração de comportamentos (estilo de vida) a longo prazo, ou seja, para toda a vida, daí a dificuldade que por vezes se constata no cumprimento do regime proposto. Nestes casos, a melhoria da literacia acerca da sua situação clínica é essencial.

Um importante fator de risco cardiovascular, conforme anteriormente referido, é a HTA. Tratase de uma doença silenciosa, estimando-se que afete, em Portugal, cerca de 42,6% da população adulta. É considerada uma doença silenciosa porque pode não apresentar sintomas. Quando apresenta, os mais frequentes são: dores de cabeça, zumbidos, tonturas, aumento dos batimentos cardíacos, dor no peito ou falta de ar.

A pressão arterial corresponde à força que o sangue exerce nas paredes das artérias durante a sua circulação e apresenta dois valores:
– a pressão arterial “máxima” (sistólica) – que corresponde à força com que o coração contrai para “expulsar” o sangue do seu interior;
– a pressão arterial “mínima” (diastólica) – que se refere à medição da pressão quando o coração relaxa entre cada batimento.

O diagnóstico de HTA baseia-se na medição dos valores de pressão arterial e verificação de que se encontram acima dos valores considerados normais (≥140/90 mmHg) em mais do que uma avaliação. Ou seja, um valor de pressão arterial elevado isoladamente não significa que a pessoa seja hipertensa.

Para obtermos valores fidedignos de pressão arterial quando realizamos a sua avaliação existem alguns aspetos que devemos ter em consideração. Antes da avaliação da pressão arterial devemos:
– evitar fumar e ingerir alimentos/bebidas estimulantes, nomeadamente café;
– não fazer exercício físico nos 30 minutos antes da avaliação;
– descansar na posição sentada durante pelo menos 5 minutos.

No momento da avaliação (medição) devemos:
– utilizar uma sala tranquila, com temperatura confortável;
– não falar durante nem entre medições;
– estar sentado com as costas direitas e apoiadas na cadeira e os pés apoiados no chão, sem ter as pernas cruzadas;
– o braço deve estar apoiado e em repouso (sem estar a fazer força);
– realizar 3 medições com 1-2 minutos de intervalo e utilizar a média das duas últimas.

Para manter a sua tensão arterial controlada, para além da avaliação dos seus valores de tensão arterial, é essencial a adoção de um estilo de vida saudável, nomeadamente evitar a ingestão de alimentos com elevado teor de sal. E, caso tenha hipertensão arterial diagnosticada, deve tomar a sua medicação conforme prescrito.

O enfermeiro desempenha um papel essencial na educação para a saúde e no esclarecimento de dúvidas aos utentes e familiares, assim como deve colaborar e funcionar como suporte para as mudanças comportamentais que sejam necessárias implementar e que compreendem a adoção de terapêutica farmacológica permanente e a modificação do estilo de vida (cessação tabágica, alteração de hábitos alimentares, atividade física regular, controlar o stress). Todas
estas modificações são difíceis de conseguir, uma vez que implicam o abandono de hábitos antigos, muitas vezes em utentes assintomáticos, que, por isso, não compreendem a necessidade de mudar.

É possível obter ganhos em saúde decorrentes da intervenção dos enfermeiros, nomeadamente através do melhor controlo dos fatores de risco que poderão conduzir à prevenção de eventos cardiovasculares e redução dos reinternamentos.”

Anaísa Reveles
Vogal Suplente do Conselho Jurisdicional da Secção Regional Centro da Ordem dos Enfermeiros