A taxa a cobrar aos estudantes refugiados pode atingir sete mil euros anuais. Hoje já estudam 150 refugiados sírios em Portugal.
O Governo está a preparar um protocolo com o Estado alemão para que dois mil estudantes refugiados terminem os cursos em universidades e politécnicos portugueses. Os estudantes serão admitidos nas instituições de forma faseada e vão ter uma propina ao nível da que é paga pelos estudantes internacionais, apurou o Diário Económico – ou seja, mais elevada que a paga pelos estudantes nacionais, chegando em muitos casos a sete mil euros anuais. O Diário Económico sabe ainda que o custo será suportado pelo Estado alemão.
O acordo está em fase embrionária e a tutela ainda não se reuniu com as instituições de ensino superior para acertar detalhes como, por exemplo, quem vai suportar e onde será o alojamento destes alunos. As duas mil vagas resultam de um levantamento pedido pela tutela junto das instituições. Contactado pelo Diário Económico, o ministério da Ciência e Ensino Superior não respondeu até ao fecho desta edição.
Cada um dos politécnicos e universidades “manifestou disponibilidade ou não para receber os alunos e quantos poderiam acolher”, explicou o Conselho Coordenador dos Politécnicos (CCISP), Joaquim Mourato, ao Diário Económico. E sublinha que ainda não discutiu o assunto com o ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor. Os lugares disponíveis para os refugiados vão fazer parte de um contingente especial, ou seja, não estão incluídos no número de vagas que ficarão disponíveis para o concurso nacional de acesso ao Superior, para os quais se candidatam os alunos nacionais.
A distribuição das vagas entre as instituições e entre os cursos também ainda não estão definidas. “É uma disponibilização genérica das instituições e de Portugal e tudo ainda tem de ser trabalhado com detalhe”, afirmou o presidente do Conselho de Reitores (CRUP), António Cunha, ao Diário Económico. O reitor garante que as instituições têm “capacidade para absorver” estes alunos, que estão numa “situação especial”.
O problema, prevê, “será o quadro de integração” destes estudantes, que será “um desafio interessante” para as universidades. Num contexto de contenção orçamental, que põe as universidades e politécnicos em dificuldades financeiras, estes alunos vão permitir uma captação de receitas com um “valor significativo”, refere ainda António Cunha.
O acordo foi anunciado na sexta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, durante uma visita a Berlim. Numa altura em que a chanceler alemã, Angela Merkel, está sob forte pressão interna pela política de ‘portas abertas’ aos refugiados, Costa disse que está “empenhado” e “disponível” para “colaborar e ajudar a Alemanha”. Além dos dois mil estudantes refugiados para o Superior, Portugal vai acolher mais mil alunos nas escolas profissionais, revelou o ministro-adjunto, Eduardo Cabrita. Hoje, já estudam no Ensino Superior nacional 150 refugiados sírios, através da plataforma que foi lançada em 2013 pelo antigo Presidente Jorge Sampaio.
Fonte: economico





