Cidadãos abdicaram da liberdade a favor da segurança numa espécie de “pulsão securitária”. Desafio do Estado Islâmico veio para ficar.
Depois do 11 de Setembro, o mundo nunca mais foi o mesmo. A História “renasceu nesse triste dia de 2001”, diz Bernardo Pires de Lima, especialista em política internacional.
Os Estados tornaram-se securitários e “os cidadãos prescindiram de parte da sua liberdade a favor do reforço da sua segurança”, defende Paulo Gorjão, director do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS).
Bernardo Pires de Lima chama-lhe “pulsão securitária no nosso dia-a-dia e tensão permanente com a salvaguarda da nossa liberdade e privacidade”, salientando a outra face da moeda: os excessos cometidos em nome da luta contra o terrorismo, levadas a cabo por muitas agências de espionagem internacionais e que “acabaram por contribuir para clivagens políticas graves entre aliados”.
A maior ameaça mundial passou a chamar-se terrorismo. E “o desafio do ISIS [Estado Islâmico] veio para ficar”, sublinha Paulo Gorjão, comparando-o a uma “hidra de sete cabeças”. Primeiro foi a al-Qaeda e Bin Laden e agora o Estado Islâmico.
Para o director do IPRIS, o mais marcante do pós-11 de Setembro é a consciência de que “afinal o Fim da História [de Fukuyama] terá sido uma ilusão e as formas de conflitualidade violenta enquanto instrumento de resolução de conflitos continuam a ser um fenómeno do dia-a-dia com repercussões para os EUA e para a Europa”.
Fonte: económico





