23.01.2026 –
Referência maior da oftalmologia portuguesa e da investigação científica internacional, José Cunha-Vaz deixa um legado que atravessa gerações, fronteiras e disciplinas médicas.

A medicina portuguesa perdeu uma das suas figuras mais marcantes com a morte de José Cunha-Vaz, médico oftalmologista, professor catedrático emérito da Universidade de Coimbra e investigador de reconhecimento mundial. Ao longo de décadas, o seu trabalho científico contribuiu de forma decisiva para o avanço do conhecimento sobre as doenças da retina, colocando Portugal no mapa da investigação biomédica internacional.
▪︎ Investigação pioneira na retina
José Cunha-Vaz foi um dos primeiros investigadores a aprofundar o estudo da barreira hemato-retiniana, um mecanismo essencial para compreender patologias como a retinopatia diabética, a degenerescência macular da idade e outras doenças vasculares da retina. As suas descobertas permitiram melhorar o diagnóstico precoce e abriram caminho a tratamentos hoje utilizados em todo o mundo, prevenindo a perda de visão em milhões de pessoas.

▪︎ Criação de centros de excelência em Coimbra
Fundador da AIBILI – Associação para a Investigação Biomédica e Inovação em Luz e Imagem e do IBILI – Instituto Biomédico de Investigação em Luz e Imagem, José Cunha-Vaz foi determinante na criação de um verdadeiro ecossistema científico em Coimbra. Estas instituições tornaram-se referências europeias na investigação clínica, atraindo projetos internacionais, investigadores de várias nacionalidades e colaborações com a indústria farmacêutica e tecnológica.
▪︎ Produção científica de impacto global
Autor de mais de 500 artigos científicos, publicados nas mais prestigiadas revistas médicas, José Cunha-Vaz foi presença constante em congressos internacionais, onde o seu trabalho era amplamente citado e discutido. A sua investigação teve impacto direto na prática clínica, aproximando a ciência do doente.
▪︎ Mestre e formador de gerações
Enquanto docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, formou sucessivas gerações de médicos e especialistas em oftalmologia. Muitos dos seus alunos viriam a ocupar cargos de destaque em hospitais, universidades e centros de investigação, em Portugal e no estrangeiro, perpetuando o seu legado científico e humano.
▪︎ Reconhecimento e distinções
Ao longo da carreira, foi distinguido com inúmeros prémios científicos e honrarias, nacionais e internacionais, sendo amplamente reconhecido como uma das maiores autoridades mundiais no estudo da retina.
Mais do que um médico ou investigador, José Cunha-Vaz foi um construtor de conhecimento, um visionário que acreditou na ciência feita em Portugal e na sua capacidade de transformar vidas. O seu legado continuará presente nos laboratórios, nas salas de aula e, sobretudo, na visão recuperada de milhares de doentes.
O cantanhedense João Diogo Ramos, engenheiro que trabalhou diretamente com José Cunha-Vaz, deixou uma sentida homenagem àquela personalidade, na sua página do Facebook. Lá, dentre outros escritos, deixou estas palavras: “…Mas o que posso dizer pelas minhas próprias palavras? Professor Cunha-Vaz foi um pesquisador e um homem brilhante! Tal como acontece com qualquer homem brilhante, tive de aprender a melhor forma de trabalhar com ele e de entrar na sua mente e no seu mundo para compreender melhor o que nós, como engenheiros, poderíamos fazer, com base nas suas ideias e nos desafios do mundo. Sempre senti que ele me tratou com o máximo respeito e isso é provavelmente a melhor coisa que posso dizer dele. Foi mútuo…”
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Imagem: Diário de Coimbra (comunicado do Município de Coimbra)




