25.10.2026 –
Festival Fólio reúne centenas de autores e dá novo passo para integrar a cultura nas políticas públicas, na educação e na economia local

Óbidos está a preparar uma nova abordagem à cultura, procurando transformar a literatura numa ferramenta estruturante para o desenvolvimento do território, a educação e a participação cívica. A iniciativa surge no contexto da 11.ª edição do Fólio – Festival Literário Internacional de Óbidos, que decorreu entre 8 e 18 de outubro, reunindo centenas de escritores, artistas e outros criadores.
De acordo com o Município de Óbidos, a criação do Conselho Estratégico da Literatura e do Conhecimento representa um dos passos centrais desta estratégia, destinada a reforçar o papel da literatura para além da programação cultural. O novo órgão consultivo integra escritores como Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso, Gonçalo M. Tavares, José Eduardo Agualusa, José Luís Peixoto, Mia Couto, Pilar del Río e Valter Hugo Mãe.
📖 Literatura como política pública
A autarquia pretende que a literatura contribua para a educação, a democracia, o desenvolvimento económico e a criação de novas oportunidades para a comunidade.
Segundo Ricardo Duque, vereador da Cultura, a intenção é que Óbidos não seja apenas um lugar onde se realizam festivais literários, mas um território onde a literatura tenha influência nas decisões públicas e na forma como a comunidade pensa o seu futuro.
O Conselho Estratégico deverá contribuir para consolidar a programação cultural do município e estudar formas de integrar a literatura nas diferentes áreas de intervenção municipal, mantendo a independência crítica e a liberdade de criação.
A estratégia inclui ainda o reforço da ligação às escolas, à academia, às plataformas digitais e à formação de novos públicos, procurando aproximar os livros e a leitura das gerações mais jovens.

🌍 Fólio reuniu 450 autores em cerca de 300 iniciativas
A edição de 2026 do Fólio decorreu sob o lema “Para além da pele” e contou com aproximadamente 450 autores e criadores, envolvidos em cerca de 300 iniciativas.
A programação incluiu conversas, oficinas, debates, apresentações de livros, exposições, concertos e outras manifestações artísticas, promovendo o cruzamento da literatura com a música, o cinema, a ilustração, as artes visuais e a tecnologia.
O festival recebeu participantes de vários países, incluindo Portugal, França, Espanha, México, Colômbia, Brasil, Índia, Canadá e Reino Unido.
Entre os momentos dedicados à poesia contemporânea internacional estiveram recitais, apresentações de livros e debates sobre a capacidade da poesia para ultrapassar barreiras linguísticas e culturais. Os poetas Valeriu Stancu, da Roménia, e Adriana Hoyos, da Colômbia, receberam a distinção Josefa d’Óbidos.
🏘️ Cultura, identidade e economia local
A estratégia de Óbidos coloca também em evidência a relação entre literatura, identidade territorial e atividade económica.
A literatura pode contribuir para valorizar a história e as características de uma comunidade, atrair visitantes, dinamizar o comércio e criar novas oportunidades de participação cultural. O desafio consiste em garantir que estes benefícios ultrapassem os dias de realização dos festivais e cheguem à população ao longo de todo o ano.
A aposta na formação de leitores e na ligação às escolas assume particular importância neste processo, procurando criar hábitos culturais duradouros e facilitar o acesso aos livros por parte de diferentes públicos.
O modelo pretende, assim, articular a programação cultural com uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo, em vez de limitar a ação municipal à organização de eventos pontuais.

📰 Um exemplo para o desenvolvimento cultural da região Centro
A experiência de Óbidos levanta uma questão relevante para outros municípios: de que forma podem os livros, os escritores, as associações culturais, as bibliotecas e as escolas contribuir para o desenvolvimento das comunidades?
Na região Centro, onde coexistem territórios com património histórico, tradições populares, associações culturais e iniciativas artísticas, a valorização da identidade local pode constituir uma oportunidade para aproximar as populações da cultura e reforçar a atratividade dos concelhos.
Mais do que organizar festivais, o desafio passa por criar condições para que a cultura faça parte da vida quotidiana, chegue às diferentes gerações e contribua para preservar a memória coletiva, estimular a criatividade e fortalecer a participação cívica.
A aposta de Óbidos procura precisamente afirmar a literatura como uma dimensão do desenvolvimento local, com potencial para influenciar a educação, a economia e a forma como a comunidade se relaciona com o território.
Jornal Mira Online
Fontes: Município de Óbidos e Observador




