24.02.2026 –
Um grupo de militantes, dirigentes e ex-dirigentes nacionais, autarcas e ex-autarcas do Partido Socialista divulgou uma nota aos órgãos de comunicação social, na qual manifesta preocupação com o atual rumo do partido e defende a necessidade de reabrir o debate interno, reforçando a democracia partidária e o pluralismo de ideias.

O documento resulta de uma reunião realizada no dia 21 de fevereiro, no distrito de Aveiro, onde os signatários analisaram o “estado da arte” do PS à luz dos mais recentes atos eleitorais — legislativos, autárquicos e presidenciais. Entre as principais críticas está o entendimento de que o Congresso do partido está a ser agendado de forma precipitada, eliminando o tempo necessário para um debate político aprofundado.
Na nota, os militantes congratulam-se com a eleição de António José Seguro para Presidente da República, sublinhando o regresso de um socialista a Belém após mais de duas décadas, e apontando essa vitória como motivo de orgulho coletivo.

No plano interno, o grupo alerta para uma estagnação do partido, marcada, segundo refere, pela falta de iniciativa, dinamismo e debate democrático nos diferentes níveis das estruturas organizativas. Defende ainda que é urgente criar espaço e legitimidade orgânica para a convivência das várias sensibilidades existentes no seio do PS, como forma de construir um caminho unificador.
Os signatários rejeitam decisões centralistas de natureza burocrática, considerando que estas têm vindo a esvaziar o debate interno e podem conduzir o partido a um caminho de irrelevância política. Nesse sentido, defendem a reafirmação da matriz social-democrata do PS, adaptada aos desafios atuais, desde a economia e o social até à inovação tecnológica, à inteligência artificial, à defesa, à Europa e ao contexto internacional.
No documento é igualmente sublinhada a necessidade de combater o crescimento dos radicalismos e nacionalismos, através de uma linguagem clara, de propostas coerentes e de uma liderança moderada, capaz de gerar consensos e reforçar a coesão social.
Relativamente ao processo congressual, os militantes consideram desajustados os prazos definidos pela atual liderança, defendendo mais tempo para encontros de âmbito concelhio e distrital, bem como para a apresentação de moções. Rejeitam ainda que o Congresso avance por “lista única”, apontando essa possibilidade como indiciadora da postura do secretário-geral, José Luís Carneiro.
A nota termina com um apelo à legitimação de uma liderança mobilizadora, capaz de conciliar os valores históricos do Partido Socialista com uma resposta à altura do atual momento político, social e democrático.—
Jornal Mira Online
ℹ️ Nota enviada aos órgãos de comunicação social pelos signatários do documento





