24.07.2026 –
No âmbito do Dia dos Avós, assinalado a 26 de julho, a DECO PROteste alerta para as dificuldades que milhares de famílias enfrentam para garantir cuidados aos seus familiares mais idosos. Um estudo da organização revela que 79% dos idosos não conseguem suportar os custos de um lar apenas com a reforma, sendo necessário recorrer às poupanças ou ao apoio financeiro da família.

O inquérito, realizado junto de 694 familiares de utentes de Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), conclui que a permanência num lar representa uma despesa média mensal de 1.343 euros, valor que ultrapassa em 462 euros os rendimentos médios dos residentes. As maiores dificuldades registam-se na Área Metropolitana de Lisboa e na região Norte.
Segundo a DECO PROteste, esta realidade demonstra que o envelhecimento com dignidade continua, em muitos casos, dependente da capacidade financeira das famílias.

⏳ Conseguir uma vaga continua a ser difícil
O acesso a uma vaga num lar permanece um dos principais obstáculos. O estudo revela que 44% dos familiares sentiram dificuldades em encontrar lugar, sobretudo nas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e Misericórdias.
Em média, o tempo de espera entre a inscrição e a admissão é de 157 dias, podendo ultrapassar os sete meses nestas instituições. Perante a escassez de vagas, cerca de um terço das famílias acaba por optar por um lar diferente daquele que pretendia inicialmente.

❤️ Idosos entram cada vez mais dependentes
A investigação mostra que os idosos ingressam, em média, numa estrutura residencial aos 84 anos, apresentando já elevados níveis de dependência.
Entre as situações mais frequentes destacam-se:
- Problemas de mobilidade (79%);
- Dificuldades na higiene pessoal (79%);
- Demência (52%);
- Incapacidades físicas (50%);
- Depressão (37%);
- Doença de Alzheimer (28%).
Embora a maioria das instituições disponibilize cuidados de enfermagem e consultas médicas, serviços como apoio psicológico, fisioterapia e nutrição continuam menos acessíveis ou implicam custos adicionais.
📊 Famílias apontam falhas nos serviços
A satisfação global dos familiares foi avaliada em 72 pontos numa escala de 100, refletindo uma apreciação moderadamente positiva.
Os aspetos mais valorizados são a transparência dos custos, as condições dos quartos e os cuidados de enfermagem. Já entre as principais críticas surgem:
- Falta de apoio psicológico;
- Número insuficiente de funcionários durante a noite;
- Problemas nos cuidados de higiene;
- Despesas inesperadas;
- Comunicação insuficiente com as famílias.
🏡 DECO PROteste pede mais investimento
Perante o envelhecimento da população portuguesa, a DECO PROteste considera urgente reforçar a capacidade das estruturas residenciais para pessoas idosas, tornando-as mais acessíveis e financeiramente sustentáveis.
A organização defende ainda maior transparência nos custos, reforço dos recursos humanos e melhores respostas nas áreas da saúde mental e do acompanhamento especializado, para que o acesso a cuidados dignos não dependa exclusivamente da situação económica das famílias.
O estudo foi realizado entre setembro e novembro de 2025, junto de familiares de utentes que estiveram em lares nos cinco anos anteriores, tendo os resultados sido ponderados para refletir a distribuição nacional de camas nas estruturas residenciais.
Fonte: DECO PROteste
Jornal Mira Online









