🎗️ Cancro do ovário continua a ser um dos mais difíceis de detetar precocemente

08.05.2026 –

8 de maio é o Dia Mundial do Cancro do Ovário.

O cancro do ovário continua a representar um dos maiores desafios na área da oncologia ginecológica, sobretudo devido à dificuldade no diagnóstico precoce e à elevada agressividade de muitos tumores. O alerta é deixado por especialistas ligados ao projeto “saBeR mais ContA”, no âmbito do Dia Mundial do Cancro do Ovário, assinalado esta quinta-feira.

🔬 Segundo a Dr.ª Sofia Fernandes, representante da Sociedade Portuguesa de Genética Humana (SPGH), embora a maioria dos casos surja de forma esporádica e multifatorial, cerca de 25% estão associados a alterações genéticas, incluindo mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.

A especialista explica que o chamado “cancro hereditário” ocorre quando existe uma alteração genética que aumenta significativamente a probabilidade de desenvolver determinados tipos de cancro ao longo da vida, muitas vezes em idades mais jovens.

📊 Nas mulheres em geral, o risco de desenvolver cancro do ovário ao longo da vida situa-se entre 1% e 2%. Já nas portadoras de alterações genéticas nos genes BRCA1 ou BRCA2, esse risco pode aumentar para valores entre 10% e 39%.

⚠️ Conhecido frequentemente como um “cancro silencioso”, o cancro do ovário apresenta sintomas pouco específicos, o que dificulta a deteção nas fases iniciais.

A Dr.ª Mónica Pires, presidente da Secção de Ginecologia Oncológica da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG), sublinha que os sintomas iniciais são muitas vezes confundidos com problemas digestivos.

🤒 Entre os sinais mais comuns estão:

sensação de inchaço abdominal;

náuseas;

saciedade precoce;

alterações do trânsito intestinal;

sintomas urinários;

dor durante as relações sexuais;

perda de peso involuntária;

e aumento do volume abdominal.

A especialista alerta, contudo, que a persistência destes sintomas deve ser valorizada pelas mulheres.

🧬 O estudo genético assume hoje um papel central no acompanhamento da doença. De acordo com a SPGH, todas as mulheres diagnosticadas com cancro do ovário epitelial não mucinoso devem realizar testes genéticos, independentemente da idade ou histórico familiar.

Além dos genes BRCA1 e BRCA2, os exames incluem atualmente outros genes associados a síndromes hereditárias predisponentes ao cancro.

💊 Os avanços na genética têm vindo também a transformar o tratamento da doença. Segundo a SPG, novas terapias dirigidas apresentam resultados particularmente eficazes em doentes com mutações BRCA, permitindo prolongar o tempo livre de progressão da doença e melhorar o prognóstico.

👨‍👩‍👧‍👦 A identificação de alterações genéticas pode ainda ter impacto direto nos familiares, uma vez que parentes em primeiro grau poderão realizar testes genéticos, vigilância mais apertada e, em alguns casos, medidas preventivas específicas.

🧠 Para Tamara Milagre, presidente da Associação EVITA – Cancro Hereditário, a informação e o apoio psicológico são fundamentais após um diagnóstico genético.

A responsável alerta para os baixos níveis de literacia genética em Portugal e defende a necessidade de sensibilizar a população para os cancros hereditários e para a importância do aconselhamento genético.

🌍 O Dia Mundial do Cancro do Ovário marca também o arranque de uma nova edição da campanha de sensibilização do projeto “saBeR mais ContA”, que pretende reforçar, ao longo do ano, o conhecimento sobre cancros hereditários, diagnóstico genético e acompanhamento das famílias afetadas.

Jornal Mira Online

📌 Fonte: Projeto saBeR mais ContA / Sociedade Portuguesa de Genética Humana / Sociedade Portuguesa de Ginecologia / Associação EVITA – Cancro Hereditário