🇵🇹 Tragédia na Venezuela faz 41 vítimas portuguesas e lusodescendentes

27.06.2026 –

O número de cidadãos portugueses e lusodescendentes mortos na sequência dos dois fortes sismos que atingiram a Venezuela subiu para 41, segundo a mais recente atualização do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). O balanço foi revisto durante este sábado, depois de, na sexta-feira, a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas ter apontado para 28 vítimas.

💔 Emigrante português perde seis familiares

Entre as vítimas encontram-se seis familiares próximos de Manuel Sardinha, emigrante português residente na Venezuela, que confirmou à SIC Notícias a morte de duas noras, de uma neta e de outros três familiares.

A família encontrava-se reunida para celebrar o São João quando a habitação onde estava foi destruída pelos sismos. Inicialmente, os familiares permaneciam desaparecidos sob os escombros, mas Manuel Sardinha confirmou posteriormente que todos foram encontrados sem vida.

Um dos filhos foi resgatado com vida, enquanto outro filho e o próprio Manuel escaparam à tragédia por se encontrarem a trabalhar no momento dos abalos.

📊 Balanço continua a agravar-se

As autoridades venezuelanas mantêm o número oficial de mortos em 1.430 vítimas, embora existam receios de que o total seja bastante superior devido ao elevado número de desaparecidos.

Uma plataforma criada por cidadãos ligados à oposição venezuelana indica que mais de 54 mil pessoas continuam incontactáveis, apesar de mais de 12 mil desaparecidos já terem sido localizados.

Os dois sismos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, atingiram sobretudo a região de Caracas, o estado de La Guaira e a cidade com o mesmo nome, provocando destruição em larga escala.

🚁 Portugal envia equipas de socorro

Portugal mobilizou uma operação de ajuda humanitária para apoiar as autoridades venezuelanas.

Na sexta-feira partiram da Base Aérea de Beja dois aviões da Força Aérea Portuguesa, transportando 64 operacionais, entre elementos da:

  • Unidade Especial de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR;
  • Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC);
  • Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Foram ainda enviadas cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária, incluindo equipamento de busca e salvamento, material médico, medicamentos, tendas, geradores, equipamentos de proteção individual e bens alimentares.

Também os Açores e a Madeira vão enviar uma força conjunta composta por bombeiros, socorristas e médicos. A Madeira concentra uma das maiores comunidades portuguesas residentes na Venezuela.

🌍 Comunidade internacional mobiliza-se

A presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou que a prioridade continua a ser o resgate de sobreviventes, destacando o trabalho conjunto das equipas venezuelanas e da Proteção Civil.

Os Estados Unidos suspenderam temporariamente algumas sanções impostas à Venezuela para facilitar a entrada de ajuda humanitária.

Entretanto, o Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, manifestou solidariedade para com as vítimas durante um encontro com membros da comunidade portuguesa e luso-venezuelana na Flórida, tendo pedido um minuto de silêncio em memória dos mortos.

Também a Itália acompanha com preocupação a situação, existindo dezenas de ítalo-venezuelanos desaparecidos. O país enviou uma equipa de cerca de 100 socorristas e ajuda humanitária.

Ao todo, 17 países já mobilizaram meios para apoiar a resposta internacional à catástrofe.

⚠️ Novo sismo sentido na sexta-feira

Na noite de sexta-feira foi ainda registado um novo sismo, de magnitude 4,9, no estado de Aragua.

O abalo ocorreu a cerca de 10 quilómetros de profundidade e foi sentido também em Caracas. As autoridades ainda estão a avaliar se se tratou de uma réplica dos dois grandes sismos ou de um evento sísmico independente.

Fonte: Euronews, Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal e SIC Notícias.