O ministro da Educação reconheceu os erros na contratação de professores e já deu instruções para que as listas de graduação sejam refeitas.
“É um erro que foi cometido pelos serviços do Ministério da Educação. Não foi cometido pelas escolas, não foi cometido pelos diretores, foram os nossos serviços que cometeram esse erro”, disse Nuno Crato em declarações aos jornalistas, no Parlamento. “Apresentamos as nossas
desculpas aos pais, aos professores e ao país”, disse.
“Senhores deputados, isto é muito sério, isto não é uma questão para rirmos. Estão a assistir a uma coisa que não é comum na História, que é um ministro chegar ao parlamento e reconhecer a responsabilidade por uma não compatibilidade de escalas, e um ministro assumir que o assunto vai ser corrigido”, disse.
Em causa está um erro na “harmonização de escalas” na fórmula matemática usada para calcular a classificação dos professores nas listas de colocação nas escolas no concurso que ainda decorre, a Bolsa de Contratação de Escola (BCE), criado este ano para dar resposta às
necessidades das escolas com contrato de autonomia e escolas TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária).
Nuno Crato explicou que os professores, entretanto, colocados continuam a dar aulas mas não explicou o que lhes vai acontecer depois da lista de graduação ser corrigida. “E é importante que o país perceba, que os pais percebam, que estamos a falar de um grupo muito específico de escolas, um número muito reduzido de professores, menos de 1% dos casos e que as aulas decorrem normalmente”, acrescentou. O ministro prometeu uma investigação para “apurar responsabilidades”.
As declarações chegam menos de 24 horas após o ministro ter dito que desconhecia qualquer erro na aplicação da fórmula de cálculo, que dá origens às listas ordenadas de colocação de professores na Bolsa. Algumas dezenas de pessoas, alegadamente docentes, gritaram das galerias da Assembleia pela demissão do ministro da Educação e Ciência após o debate sobre o início do ano lectivo. Entre os manifestantes estava Mário Nogueira da Federação Nacional de Professores (FENPROF). “Eu recordo que ontem eram oito da noite e o ministro da Educação
dizia que não havia erros. Portanto aquilo que hoje aconteceu não foi o arrependeminto de alguém que percebeu [que afinal estava errado]. Foi de quem foi pressionado e de quem foi obrigado a dizer e a reconhecer os erros deste concurso”, disse Mário Nogueira à porta da
Assembleia.