23.06.2026 –
A doença de Alzheimer é a forma de demência mais comum em todo o mundo, afetando atualmente mais de 55 milhões de pessoas. Trata-se de uma doença neurodegenerativa de progressão lenta que compromete a memória, a orientação, o raciocínio e outras capacidades cognitivas, provocando alterações emocionais e comportamentais que afetam profundamente a qualidade de vida dos doentes e das suas famílias.

Perante a inexistência de uma cura capaz de travar ou reverter a evolução da doença, as intervenções não farmacológicas assumem uma importância crescente. Entre elas, destaca-se a musicoterapia, uma abordagem terapêutica que utiliza a música e os seus elementos — como o ritmo, a melodia e a harmonia — para promover o bem-estar físico, emocional, social e cognitivo.
🎵 Estudos científicos demonstram que a música estimula diversas áreas do cérebro ligadas à memória, à atenção, às emoções e ao movimento. Esta ativação cerebral contribui para preservar capacidades cognitivas ainda existentes, ajudando a retardar o impacto funcional da doença.
Por ser uma forma de comunicação essencialmente não verbal, a musicoterapia revela-se particularmente eficaz junto de pessoas que já apresentam dificuldades significativas de expressão e comunicação. Diversas investigações apontam benefícios relevantes, entre os quais:
• Melhoria da memória episódica, da atenção e das capacidades verbais;
• Redução dos sintomas de ansiedade e depressão;
• Aumento da velocidade de processamento cognitivo e da autoconsciência;
• Estímulo da comunicação através de gestos, movimentos, dança e utilização de instrumentos musicais.
🎶 A prática da musicoterapia divide-se em duas modalidades principais.
A musicoterapia ativa envolve atividades como cantar, tocar instrumentos ou criar música. Esta abordagem tem demonstrado benefícios significativos em pessoas com demência moderada ou avançada, contribuindo para a redução de alterações comportamentais e para a manutenção das capacidades cognitivas e funcionais.
Já a musicoterapia recetiva baseia-se na audição de músicas selecionadas de acordo com os gostos e vivências do doente. Os estudos indicam que esta modalidade é especialmente eficaz na redução da ansiedade, da agitação e de outros sintomas neuropsiquiátricos frequentemente associados à doença.

Embora os cuidadores possam recorrer à música no contexto domiciliário para proporcionar momentos de bem-estar e diminuir o stress familiar, os especialistas sublinham que os melhores resultados terapêuticos são alcançados quando as intervenções são conduzidas por profissionais qualificados em musicoterapia.
A música não cura a doença de Alzheimer, mas pode abrir caminhos para a comunicação, despertar memórias e proporcionar momentos de ligação emocional que fazem a diferença na vida de quem enfrenta esta condição.
Jornal Mira Online
📌 Fonte: UCC Mira – Trabalho elaborado por Adriana Sofia Afonso Gonçalves, estudante do 3.º ano da Licenciatura em Enfermagem de Coimbra, sob orientação da Professora Coordenadora Irma da Silva Brito e dos enfermeiros Maria Isabel Marques Clemente, Pedro Miguel Ramos Gordo e Susana Ribeiro Lavrador









