15.09.2026 –
O regresso às aulas está a representar uma despesa cada vez mais pesada para muitas famílias portuguesas. 83% dos responsáveis por crianças e jovens consideram que os custos associados ao novo ano letivo são superiores aos do ano passado, segundo um estudo do IPAM sobre os hábitos de compra neste período.

A preocupação com o orçamento está a levar as famílias a comparar mais, procurar promoções e reutilizar materiais. 86% afirmam comparar preços frequentemente ou sempre e 97% dizem reutilizar pelo menos algum material escolar.
A despesa média estimada situa-se nos 179 euros por filho, embora existam diferenças significativas entre os agregados familiares.
🛍️ Comparar preços tornou-se essencial
Cerca de 43% dos inquiridos esperam gastar entre 100 e 249 euros por criança ou jovem, enquanto 18% apontam para uma despesa inferior a 50 euros.
No outro extremo, 9% prevêem gastar 400 euros ou mais por filho.
Perante estes valores, comparar preços e procurar alternativas tornou-se uma parte importante da preparação do novo ano letivo.

📱 Pesquisa começa online, mas compra continua sobretudo na loja
Apesar da crescente utilização da internet, a loja física continua a ser o principal local de compra.
69% dos inquiridos afirmam comprar exclusivamente ou maioritariamente em lojas físicas, enquanto apenas 16% dizem privilegiar as compras online.
A pesquisa, contudo, começa muitas vezes no digital. 64% consultam sites de marcas ou retalhistas, 54% utilizam motores de pesquisa e 47% recorrem a sites de comparação de preços.
As redes sociais também influenciam o processo: 34% dos inquiridos consultam o Instagram e 23% o TikTok antes de tomar decisões.
Os dados revelam, assim, que muitas famílias pesquisam e comparam online antes de avançarem para a compra presencial.
👨👩👧 Filhos têm cada vez mais influência nas escolhas
As decisões de compra deixaram também de estar exclusivamente nas mãos dos pais.
49% dos responsáveis consideram que os filhos têm mais de metade da influência na decisão sobre o que comprar para o novo ano letivo.
A influência aumenta claramente com a idade. No 1.º ciclo, apenas 9% dos alunos decidem o que comprar, percentagem que sobe para 35% no 2.º ciclo e 57% no 3.º ciclo.
No ensino secundário, o peso dos estudantes é ainda maior: 88% já decidem o que comprar.
As redes sociais, os conteúdos digitais e a influência dos colegas contribuem para esta mudança. 55% dos inquiridos afirmam já ter recebido dos filhos pedidos de compra depois de estes terem sido expostos a produtos ou marcas através das redes sociais, canais digitais ou colegas.
🤖 Inteligência artificial começa a entrar nas compras
A preparação do regresso às aulas começa também a incorporar ferramentas de inteligência artificial.
Um quarto dos inquiridos já utilizou ou prevê utilizar IA durante o processo de compra.
Entre os objetivos estão a elaboração de listas, a comparação de alternativas, a gestão do orçamento e a escolha de equipamentos tecnológicos.
Embora ainda seja uma utilização relativamente recente, a inteligência artificial começa a juntar-se aos motores de pesquisa, comparadores de preços, sites comerciais e redes sociais como ferramenta de apoio à decisão.
♻️ Consumidor procura poupar e reutilizar
O estudo identifica ainda diferentes comportamentos entre as famílias.
O perfil mais representativo é o do consumidor “tradicional físico”, que privilegia a loja e o contacto presencial com os produtos, representando 42% dos inquiridos.
Segue-se o “comparador omnicanal”, com 22%, caracterizado por uma pesquisa mais intensa antes da compra.
Os restantes perfis identificados são o consumidor mais pressionado pela poupança, com 17%, o perfil “digital + família”, com 12%, e o consumidor pragmático multicanal, com 6%.
O estudo “Regresso às Aulas 2026: Quem decide o que comprar e onde comprar?”, coordenado por Mafalda Ferreira, professora do IPAM, reuniu 380 respostas válidas de adultos residentes em Portugal responsáveis por crianças e jovens do 1.º ciclo ao ensino secundário.
Os dados foram recolhidos entre 27 de agosto e 3 de setembro de 2026, através de um questionário sobre orçamento, hábitos de compra, influência dos filhos, redes sociais, inteligência artificial e sustentabilidade.
Jornal Mira Online
Fonte: IPAM





