27.02.2026 –
A Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos apresentou o Volume I do Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal (RASARP 2025), que traça um retrato atualizado do setor em Portugal continental, com base em dados de 2024. O documento revela avanços na cobertura e na qualidade da informação, mas deixa claros vários problemas estruturais que continuam por resolver.
🚰 Setor estável, mas fragmentado
O relatório identifica um setor globalmente estável, embora muito fragmentado, composto por 352 entidades gestoras. A maioria (72%) funciona em regime de gestão direta e mais de 35% serve menos de 10 mil alojamentos. Mantém-se, ainda assim, a tendência de redução do número de entidades, fruto da agregação de sistemas, sobretudo no setor das águas, permitindo ganhos de escala.
Desde 2000, verifica-se um crescimento do modelo empresarial, especialmente através de empresas municipais e intermunicipais. Atualmente, mais de 90% da população é servida por entidades empresariais no sistema “em alta”, mas essa realidade é bem mais reduzida no sistema “em baixa”:
● 50% no abastecimento de água
● 44% nas águas residuais
● 18% nos resíduos urbanos

📊 Mais dados, melhor gestão — mas ainda insuficiente
A ERSAR destaca melhorias significativas na medição de caudais e no conhecimento das infraestruturas, graças à evolução dos sistemas de informação. Ainda assim, sublinha que o défice de cadastro e de dados de qualidade continua a dificultar uma gestão eficiente.
🗣️ “Sem dados fiáveis e sem um conhecimento completo das redes, não é possível gerir bem nem reduzir perdas”, afirma Vera Eiró, presidente do Conselho de Administração da ERSAR, defendendo mais investimento na reabilitação das infraestruturas.
🚿 Acesso melhora, mas reabilitação fica muito aquém
Os indicadores de qualidade de serviço mostram evolução positiva na acessibilidade e na adesão aos serviços.
● Abastecimento de água: 97% de acessibilidade (avaliação “boa”)
● Águas residuais: 90% (“mediana”)
Pela primeira vez, a adesão ao saneamento atingiu 90%, cumprindo o objetivo definido no PEAASAR II. No entanto, a reabilitação das redes continua crítica:
● Condutas: 0,5%/ano (deveria ser 1,5%)
● Coletores: apenas 0,1%/ano
● Só 2% dos coletores com mais de 10 anos foram inspecionados nos últimos cinco anos
♻️ Resíduos: reciclagem longe das metas
Na gestão de resíduos urbanos, a acessibilidade à recolha seletiva mantém-se baixa, com apenas 61% de cobertura. Apesar de a deposição direta em aterro ser de 24%, o destino final em aterro continua elevado (55%), muito distante das metas europeias.
A taxa de reciclagem subiu ligeiramente para 32%, mas continua longe dos 55% definidos no PERSU 2030. A recolha seletiva de biorresíduos representa apenas 5% do total.
💶 Tarifas e eficiência preocupam
Embora a acessibilidade económica seja globalmente positiva, a cobertura de gastos continua problemática, sobretudo nas entidades de menor dimensão e nos resíduos urbanos. Em 2024, a maioria das entidades que não recupera custos opera em regime de gestão direta.
A aplicação dos modelos PAYT e SAYT continua residual, existindo apenas em 21 entidades gestoras, apesar de ser obrigatória em todo o país até 2030.
🚱 Perdas de água com impacto milionário
Em 2024, perderam-se cerca de 187,3 milhões de metros cúbicos de água — menos 1,3% do que em 2023, mas ainda o equivalente a 8,7 piscinas olímpicas por hora.
Segundo a ERSAR, a redução de 80% das perdas e afluências indevidas, aliada à reutilização de 10% da água residual tratada, permitiria uma poupança potencial de 158 milhões de euros por ano.
🗞 Jornal Mira Online
📌 Fonte: Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR)



