22.09.2026 –

🎹 Uma carreira de mais de cinco décadas entre o piano, a canção e a liberdade criativa

Jorge Palma morreu na noite desta segunda-feira, 21 de setembro, aos 76 anos, na sequência de uma paragem cardiorrespiratória. A morte foi comunicada pela família e pela agência do músico, através das redes sociais.
Nascido em Lisboa, a 4 de junho de 1950, Jorge Manuel d’Abreu Palma iniciou os estudos de piano aos seis anos. Aos oito realizou a primeira audição no Conservatório Nacional e, em 1963, conquistou um segundo prémio e uma menção honrosa num concurso internacional das Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca.

🎸 Dos Black Boys e Sindikato à carreira a solo
Em 1967 integrou os Black Boys e, dois anos depois, juntou-se ao grupo Sindikato, formação que participou na primeira edição do Festival de Vilar de Mouros, em 1971. Foi também neste período que começou a aprofundar o trabalho de composição e escrita musical.
A estreia discográfica a solo aconteceu em 1972, com o single The Nine Billion Names of God. No ano seguinte surgiu o primeiro single em português. Em 1973, depois de ser convocado para o serviço militar, partiu para a Dinamarca, regressando a Portugal depois do 25 de Abril de 1974.
Em 1975 editou o primeiro álbum, Com Uma Viagem na Palma da Mão. Ao mesmo tempo, desenvolveu trabalho como compositor, letrista e orquestrador, colaborando inclusive com outros intérpretes.
Os anos seguintes foram marcados por viagens, atuações em Portugal e no estrangeiro e por uma relação muito próxima com a música de rua. Em Paris, tocou em bares, esplanadas e no Metro, interpretando, entre outros, temas de Bob Dylan, Leonard Cohen e Paul Simon.
🎶 A afirmação de uma voz própria
Na década de 1980, Jorge Palma consolidou uma escrita muito própria. Em 1985, lançou O Lado Errado da Noite, álbum de onde saiu “Deixa-me Rir” e que marcou uma nova etapa no reconhecimento público do músico. Um ano depois editou Quarto Minguante.
Em 1989, surgiu Bairro do Amor, um dos discos centrais da sua discografia. Em 1990 concluiu o Curso Superior de Piano do Conservatório de Lisboa. No ano seguinte editou Só, trabalho construído apenas com voz e piano, no qual revisitou canções anteriores da sua carreira.
A década de 1990 ficou também marcada por diferentes projetos e colaborações. Jorge Palma criou os Palma’s Gang, grupo que juntou músicos ligados aos Xutos & Pontapés e aos Rádio Macau, e integrou os Rio Grande, ao lado de nomes como Rui Veloso, Vitorino, Tim e João Gil. Trabalhou igualmente para teatro e participou em projetos de outros artistas.

🎹 Uma obra construída ao longo de décadas
Depois de Jorge Palma, editado em 2001, seguiram-se Norte (2004), Voo Nocturno (2007) e Com Todo o Respeito (2011). A Sociedade Portuguesa de Autores atribuiu a Jorge Palma, em 2012, a primeira edição do Prémio SPAUTORES/Pedro Osório, precisamente por Com Todo o Respeito.
Depois de um longo intervalo sem um álbum de originais, regressou em 2023 com VIDA. A RTP descreveu o disco como o regresso aos trabalhos de originais após 12 anos, sendo a faixa-título uma das novas composições desse período.
Ao longo da carreira, Jorge Palma deixou canções que passaram a integrar o repertório conhecido da música portuguesa, entre elas “Frágil”, “Deixa-me Rir”, “Bairro do Amor”, “Portugal, Portugal”, “Estrela do Mar” e “Encosta-te a Mim”. A sua discografia inclui trabalhos a solo e projetos realizados com outros músicos.
🏅 Distinções e reconhecimento
Jorge Palma recebeu o Prémio José Afonso em 2002, pelo álbum Jorge Palma, e foi distinguido em 2020 como comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Na mesma altura recebeu também a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Lisboa.
Em abril de 2026, poucos meses antes da sua morte, recebeu o Prémio Carreira dos PLAY – Prémios da Música Portuguesa, numa distinção atribuída pela organização dos prémios e entregue pelo secretário de Estado da Cultura.
👨👦👦 Os últimos anos em palco com os filhos
Em 2025, Jorge Palma apresentou o espetáculo “3 Palmas na Mão”, ao lado dos filhos Vicente e Francisco Palma. O projeto levou para palco três músicos da mesma família e recuperou temas da carreira de Jorge Palma, juntamente com outras escolhas musicais.
A morte interrompe assim uma carreira iniciada ainda na infância e desenvolvida ao longo de mais de cinco décadas, entre o piano clássico, o rock, a canção de autor, a composição e numerosas colaborações.
Jorge Palma tinha 76 anos.
Jornal Mira Online
Fonte: Família e Agência de Jorge Palma; Agência Três; Sociedade Portuguesa de Autores; Presidência da República; Diário de Coimbra; Audiogest





