20.01.2026 –
O Bloco de Esquerda (BE) questionou esta semana o Ministério do Ambiente e da Energia sobre a autorização para o abate de 508 sobreiros em Oliveira do Hospital, classificando a decisão governamental como um “crime ambiental” e um erro político de grande dimensão.

Em causa está a atribuição do estatuto de “imprescindível utilidade pública” a um projeto privado de painéis fotovoltaicos da empresa Sonae Arauco, decisão que o partido considera incompatível com a proteção de uma espécie emblemática e legalmente protegida como o sobreiro, símbolo nacional e património ambiental do país.

■ 172 sobreiros adultos e 336 jovens em risco
Segundo o Bloco de Esquerda, o projeto prevê o abate de 172 sobreiros adultos e 336 jovens, para viabilizar uma unidade de autoconsumo fotovoltaico, numa área sensível do concelho. O partido denuncia o que considera ser um caso evidente de “greenwashing”, em que a transição energética é usada como argumento para justificar a destruição de património natural em benefício de interesses privados de um grande grupo industrial.
■ Risco acrescido de incêndio e ameaça à segurança das populações
O BE sublinha ainda a gravidade técnica da decisão, lembrando que o sobreiro é reconhecido como uma “árvore bombeira”, devido à sua capacidade de retenção de humidade no solo e de criação de resiliência natural contra os incêndios florestais.
Numa zona classificada como de alto risco de incêndio, a eliminação do sobreiral e a destruição de caminhos florestais públicos essenciais ao combate a fogos são vistas pelo partido como uma ameaça direta à segurança das populações de Oliveira do Hospital, com impacto potencialmente grave em futuras situações de emergência.
■ Alternativas ignoradas pelo Governo
O Bloco de Esquerda contesta também o argumento apresentado pelo Governo sobre a alegada “inexistência de alternativas”, apontando a existência de terrenos viáveis num raio de cinco quilómetros que permitiriam a instalação do projeto sem abater povoamentos protegidos nem provocar um forte impacto paisagístico na encosta do Vale do Alva.
■ Perguntas diretas ao Ministério do Ambiente
Na pergunta formal enviada ao Ministério do Ambiente e da Energia, o BE confronta o Governo com várias questões centrais, entre as quais:
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Porque não foram consideradas alternativas de localização próximas que evitassem a destruição do sobreiral e o impacto paisagístico no Vale do Alva;
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Como justifica o Governo a aplicação do estatuto de utilidade pública ao abate de 508 sobreiros, ignorando a sua função essencial como barreira natural contra incêndios;
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Que garantias são dadas quanto à segurança das populações, face à eliminação de caminhos florestais fundamentais ao combate aos fogos.
■ Proteção ambiental não pode ser moeda de troca
O Bloco de Esquerda conclui reafirmando que o Estado não pode abdicar da proteção de áreas classificadas em troca de compensações financeiras ou ações de replantações que, sublinha o partido, não substituem o valor ecológico, ambiental e paisagístico de uma floresta adulta e consolidada.
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Jornal Mira Online
🗂️ Fonte: Bloco de Esquerda





