04.12.2025 –
O setor da bioenergia avançada em Portugal reforçou, em 2024, o seu peso na matriz energética nacional ao alcançar um volume total de 747.853 toneladas equivalentes de petróleo (TdB) — um aumento de 14,5% face a 2023 e o valor mais elevado desde 2020. Os dados constam do 6.º Relatório Anual da Associação de Bioenergia Avançada (ABA), divulgado sob o título “Mover o futuro com a força da bioenergia avançada”.

A evolução foi fortemente sustentada por biocombustíveis produzidos a partir de resíduos e matérias-primas avançadas, responsáveis por cerca de 88% das emissões de CO₂ evitadas no setor dos transportes.
📌 Setor em transformação: matérias-primas avançadas lideram
O relatório da ABA mostra uma mudança estrutural nas fontes utilizadas para produzir biocombustíveis. Em 2024, as matérias-primas avançadas (AVA) representaram 68% da produção nacional e 84% das importações, consolidando oleínas ácidas, resíduos agrícolas e florestais e subprodutos industriais como pilares da nova cadeia de valor. Mais de 90% dos biocombustíveis produzidos em Portugal tiveram origem residual.
Em contraste, os biocombustíveis de primeira geração — como palma, soja ou colza — assumem um papel cada vez mais reduzido, contribuindo para diminuir a pressão sobre solos agrícolas e mitigando a concorrência com a produção alimentar. Para a ABA, esta transição é essencial para alinhar o país com as metas europeias de neutralidade carbónica.
💬 “Uma alternativa crucial para setores difíceis de eletrificar”
Ana Calhôa, Secretária-Geral da ABA, sublinha que a bioenergia avançada se tornou “uma alternativa crucial, estratégica e certeira” para setores onde a eletrificação ainda não é viável.
Segundo afirma, Portugal está a viver “uma verdadeira transformação” no seu modelo energético.

📈 Biometano em forte ascensão
Entre os biocombustíveis gasosos, o biometano assume especial destaque, com as importações a crescerem 196% em 2024.
Apesar de Portugal estar ainda numa fase inicial face a outros países da União Europeia, a associação identifica uma “maior mobilização empresarial” e investimentos que tendem a expandir significativamente o setor nos próximos anos.
📊 2025 arranca com sinal positivo
No primeiro trimestre de 2025, a produção de co-HVO já supera os valores registados no período homólogo do ano anterior. As importações de biometano, HVO e co-HVO também apontam para um mercado cada vez mais diversificado e resiliente, reforçando a expectativa de crescimento contínuo ao longo do ano.
🌍 Produção nacional perde peso face às importações
Até 2023, a produção interna representava mais de 75% do mercado. Contudo, em 2024 verificou-se uma inversão desta tendência:
Portugal importou 350.981 m³ de biocombustíveis, ligeiramente abaixo dos 396.872 m³ produzidos nacionalmente.
O aumento das importações acompanha a procura crescente por soluções avançadas e a adaptação aos critérios de sustentabilidade mais rigorosos definidos a nível europeu.
⚖️ RED III será decisiva para o futuro
A ABA considera que a transposição da diretiva RED III para a legislação nacional será determinante para consolidar metas, garantir segurança jurídica e fiscal aos investidores e acelerar a descarbonização em setores como o marítimo, o aéreo e os transportes pesados.
🤝 Rede crescente de parceiros
Com 25 entidades associadas, a ABA afirma estar empenhada em ampliar a cooperação e a inovação no setor, reforçando o papel de Portugal na liderança da bioenergia avançada e na construção de uma economia mais circular e sustentável.
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Jornal Mira Online
📌 Fonte: Associação de Bioenergia Avançada (ABA)






