02.08.2026 –
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, na qual critica a reação de alguns Estados-membros à recente crise migratória em Ceuta e pede uma resposta coordenada da União Europeia. A informação foi avançada pela Euronews.

📌 Críticas à resposta europeia
Na carta, datada deste sábado, Sánchez manifesta o seu desagrado com a forma como alguns governos europeus reagiram à chegada massiva de migrantes provenientes de Marrocos a Ceuta, episódio que o chefe do Governo espanhol já tinha classificado como um “ataque” e uma “violação da integridade territorial” de Espanha.
Segundo o primeiro-ministro, enquanto a maioria dos parceiros comunitários demonstrou solidariedade e disponibilizou apoio, outros optaram por criticar Madrid e chegaram mesmo a defender a suspensão temporária de Espanha do espaço Schengen.
Embora não identifique diretamente os países visados, o conteúdo da carta aponta para as posições assumidas pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Sánchez considera que essas críticas resultam de preconceitos, desinformação ou cálculos políticos, classificando-as como egoístas, polarizadoras e incompatíveis com os princípios da União Europeia.

📊 Espanha defende o controlo das fronteiras
Para sustentar a sua posição, Sánchez recorre a dados da Frontex, referindo que a fronteira externa espanhola é uma das menos permeáveis da União Europeia. Segundo o líder espanhol, entre 2021 e 2026, Espanha registou cerca de metade das entradas irregulares verificadas em Itália.
Com estes números, pretende contrariar a ideia de que a situação em Ceuta representa uma falha estrutural da política fronteiriça espanhola e questionar a coerência das críticas dirigidas ao seu país.

🚨 Governo garante resposta rápida
Na carta, Sánchez defende igualmente a atuação do Governo espanhol durante a crise, afirmando que, em menos de 48 horas, foi restabelecido o controlo da fronteira, prestada assistência humanitária às pessoas que entraram em território espanhol e efetuada a devolução da grande maioria dos migrantes em situação irregular.
O primeiro-ministro destaca que todo o processo decorreu em coordenação com as autoridades marroquinas e sublinha que Espanha recebeu pouco apoio direto de outros Estados-membros.
Recorda ainda que o país tem colaborado ativamente em anteriores crises migratórias na União Europeia, como a situação na fronteira entre a Bielorrússia e vários países do Leste europeu, em 2021, ou a chegada massiva de migrantes à ilha italiana de Lampedusa, em 2023.

🤝 Pedido de uma reunião extraordinária
Pedro Sánchez solicita ao Conselho Europeu a realização urgente de uma videoconferência extraordinária dos ministros da Administração Interna dos Estados-membros.
O objetivo será definir uma resposta comum para futuras crises migratórias e reafirmar que a proteção das fronteiras externas constitui uma responsabilidade partilhada por toda a União Europeia, e não apenas pelos países localizados na linha da frente.
Na parte final da carta, o primeiro-ministro espanhol apela ainda à liderança de Ursula von der Leyen para que a União Europeia responda de forma rápida, eficaz e coordenada aos acontecimentos registados em Ceuta.
Jornal Mira Online
Fonte: Euronews





