🇮🇸 Islândia rejeita retoma das negociações com a UE

30.08.2026 –

A Islândia rejeitou, por uma margem estreita, a retoma das negociações para uma eventual adesão à União Europeia, num referendo marcado por uma elevada participação eleitoral e por uma noite de contagem particularmente renhida.

Os resultados finais deram a vitória ao “Não”, com 118 040 votos (52,8%), contra 105 399 (47,2%) no “Sim”. No total, foram contabilizados 225 031 votos, correspondentes a uma participação de 82,5%.

O resultado deverá afastar o tema da adesão à União Europeia da agenda política islandesa durante, pelo menos, mais dois anos.

Capital votou a favor, zonas rurais deram vitória ao “Não”

A votação revelou uma forte divisão territorial. Em Reykjavík Sul, o “Sim” venceu com 54,5%, mas nos restantes círculos eleitorais divulgados a maioria foi favorável ao “Não”.

O “Não” alcançou 60,5% no Sul, 62,9% no Noroeste, 61,2% no Nordeste e 53% no Sudoeste, que acabou por ser decisivo para fechar a contagem nacional.

A oposição à adesão é particularmente forte entre comunidades piscatórias, devido às preocupações relacionadas com as regras europeias de partilha das quotas de pesca.

Negociações estavam suspensas desde 2013

A Islândia começou a procurar a adesão à União Europeia depois da grave crise financeira de 2009, que levou a economia do país à beira do colapso.

As negociações acabaram por ficar bloqueadas em 2013, depois da chegada ao poder de uma coligação eurocética.

Este ano, o atual Governo social-democrata, liderado pela primeira-ministra Kristrún Frostadóttir, recuperou o processo, defendendo que a instabilidade internacional justificava voltar a consultar os eleitores sobre uma eventual aproximação à União Europeia.

Apesar do resultado do referendo, a relação da Islândia com Bruxelas mantém-se praticamente inalterada. O país integra já o Espaço Económico Europeu e o Espaço Schengen, permitindo a circulação sem controlos de passaportes.

O referendo não tem efeitos jurídicos vinculativos, mas o Governo islandês comprometeu-se a respeitar a decisão dos eleitores.

Jornal Mira Online

Fonte: Euronews